Colômbia e aliados estão prontos para a guerra contra os rebeldes
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Karl Penhaul, da REUTERS (assinatura obrigatória) 
Bogotá (AE-REUTERS) Com o processo de paz da Colômbia virtualmente em farrapos, o governo, apoiado pelos Estados Unidos e por seus aliados regionais, está se preparando para lançar uma guerra contra os rebeldes marxistas. A Colômbia lançou um programa neste mês para melhorar seu mal-equipado e pobremente motivado exército e criar uma força mais profissional que estaria "pronta para a paz ou a guerra". Enquanto isso, os vizinhos Peru e Equador moveram tropas para suas fronteiras ao norte através de um plano supervisionado pelos Estados Unidos para conter os "narcotraficantes e seus insurgentes associados" colombianos.
Washington resolveu não tomar diretamente em suas mãos o antigo conflito na Colômbia, que já acabou com mais de 35 mil vidas apenas nos últimos 10 anos. O governo norte-americano insiste que seus planos de ajuda são destinados à guerra contra as drogas. Mas esta guerra está cada vez mais assumindo as tonalidades de um esforço para deter os insurgentes. E após o sequestro e assassinato de três americanos este mês por rebeldes marxistas, espera-se que os legisladores republicanos no Capitólio irão exigir um aumento na assistência ao exército colombiano para a luta contra os guerrilheiros. "O processo de paz foi seriamente ferido. O que pode-se esperar daqui em diante é um endurecimento da atitude do governo dos Estados Unidos em relação às FARC", escreveu Maria Jimena Duzan, comentarista política do jornal El Espectador, de Bogotá.
Depois de negações iniciais, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) assumiram a responsabilidade sobre os assassinatos brutais de Terence Freitas, de 24 anos, Ingrid Washinawatok, de 41 anos, e Laheenae Gay, de 39 anos, que estavam ajudando os índios Uwa a defender suas terras ancestrais contra os planos de uma multinacional norte-americana de explorar petróleo lá. Os comandantes das FARC tentaram jogar a culpa em um comandante menos importante e desconhecido. Mas os oficiais do governo insistem que o maior comandante regional German Briceno, irmão do líder número 2 das FARC e estrategista militar, ordenou os assassinatos. O Departamento de Estado dos Estados Unidos exigiu que as FARC incluídas numa lista do país de grupos "terroristas" internacionais entregassem os assassinos para a extradição.
Augusto Ramirez, da Comissão de Paz Nacional, apoiada pela Igreja, disse que os assassinatos foram "extremamente ruins para o processo de paz". O conflito interno tem sangrado a Colômbia por quase quatro décadas e o presidente Andres Pastrana
que assumiu em agosto, fez de um acordo negociado sua principal prioridade. Mas as FARC interromperam as conversações apenas alguns dias depois delas terem sido iniciadas em janeiro e o pequeno Exército de Libertação Nacional (ELN) também colocou um fim abrupto nas negociações com o governo.
Washington deu apoio aos esforços de paz de Pastrana e um importante oficial do Departamento de Estado até mesmo teve um encontro sem precedentes com um alto comandante das FARC na Costa Rica em dezembro. Mas os Estados Unidos devem ainda dar à Colômbia um pacote de ajuda recorde de US$ 240 milhões em 1999, incluindo armas e aviões, e está ajudando a compor uma unidade de elite composta por mil homens do exército para lutar contra o narcotráfico perto das áreas rebeldes no sul. A maioria da ajuda é ostensivamente voltada para a luta na guerra contra a cocaína e heroína, mas oficiais dos Estados Unidos e da Colômbia chamam os insurgentes estimados em 20 mil de "narco-guerrilheiros", acabando com a linha entre traficantes e insurgentes.
Para ajudar nos esforços para aumentar a capacidade de combate da polícia e do exército da Colômbia, o Comando Sul dos Estados Unidos, com base em Miami, ajudou a convencer o Peru e o Equador a ampliar a presença de suas tropas em suas fronteiras. "O chefe do Comando Sul, general Charles Wilhelm, encorajou o Peru e o Equador a reforçarem suas fronteiras com a Colômbia devido ao uso delas por narcotraficantes e seus sócios insurgentes", disse o porta-voz Steve Lucas. O Peru e o Equador aumentaram suas patrulhas nas fronteiras em janeiro, logo após as FARC suspenderem as negociações de paz. O Peru despachou dois batalhões, cerca de 1..200 homens, para sua fronteira ao norte. O Equador despachou forças especiais, mas preferiu não citar números. Acredita-se que a Venezuela tem cerca de 12 mil soldados em torno de 70 postos espalhados por sua fronteira com a Colômbia. Pela região, times de forças especiais norte-americanas continuam a dar treinamento militar para os exércitos locais. Lucas disse que no mês passado o Comando Sul tinha 160 homens no Equador, 136 na Venezuela e 181 no Peru.
Não está claro se o encontro marcado para o dia 20 de abril entre o governo e representantes das FARC terá sucesso em reviver o moribundo processo de paz. Alguns críticos acusaram Pastrana de fazer muitas concessões para os rebeldes. Eles citam sua decisão de deixar as FARC instalarem uma virtual "república independente" em uma área do tamanho da Suíça no sul da Colômbia depois de ter retirado as forças de segurança do governo da área para criar condições para as negociações. Os rebeldes ofereceram pouco em retorno e rejeitam as exigências para pararem de usar métodos como sequestro e "taxas" levantadas para proteger plantações ilícitas de drogas para bancar sua rebelião. "Se as coisas continuarem como estão a Colômbia irá terminar sendo um arquipélago de sangrentas pequenas repúblicas independentes financiadas por sequestros e pelo tráfico de drogas e manipuladas pelos paramilitares ou pelos subversivos", disse o ex-vice-presidente Carlos Lemos Simmonds.
Em meio à crescente frustração com os rebeldes, Pastrana disse que não irá estender a desmilitarização no sudeste quando esta expirar em 7 de maio, um movimento que pode ser um sinal do fim das tentativas oficiais de pacificação da Colômbia. Se as conversações falharem definitivamente, os líderes regionais das FARC dizem que estão fazendo planos para uma "primeira grande ofensiva" para instalar um governo de "trabalhadores, camponeses e índios" à força. O ministro da Defesa Rodrigo Lloreda, enquanto isso, respondeu "é claro" quando perguntado em uma recente entrevista se o governo teria um "Plano B". Como parte deste plano, ele disse que já estava trocando recrutas sem experiência por soldados profissionais. Ele também está melhorando os serviços de inteligência e mudando o recorde militar de pobreza de direitos humanos um dos piores da América Latina.
O batalhão anti-drogas de mil homens do exército apoiado pelos Estados Unidos, que deve ser criado no meio do ano, também é visto como uma nova arma. Com plano de baseá-lo na província de Caqueta ou na de Putumayo, ao sul do país onde mais atuam as FARC há poucas dúvidas de que a unidade irá ter ações frequentes contra os rebeldes. O general Wilhelm acredita que os rebeldes agora representam uma ameaça à estabilidade de toda a região e avisou que os guerrilheiros podem tomar o poder em cinco anos se não forem contidos.
Observadores políticos acreditam que a possibilidade de uma intervenção direta dos Estados Unidos no conflito na Colômbia é remota mas dizem que Washington está tendo um papel maior por trás do pano. "Devemos nos preocupar com o crescente papel indireto do Tio Sam", disse Alejandro Santos, um colunista na revista Semana. "A intervenção dos Estados Unidos é baseada na mortal equação de que eles dão a tecnologia militar e nós provemos os mortos".


