Colômbia desmente ajuda americana em combate
Bogotá, 14 (AE-AP) - Aviões militares com a bandeira dos EUA participaram ativamente da contra-ofensiva lançada pelo Exército colombiano para deter o avanço da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) nos últimos dias, informaram várias testemunhas dos combates registrados no Departamento de Meta ao jornal de Bogotá El Espectador, um dos principais do país. A denúncia, respaldada pelos líderes guerrilheiros e rechaçada pelos comandantes militares, surge no mesmo dia em que o ministro da Defesa colombiano, Luis Fernando Ramírez, se preparava para discutir em Washington, com autoridades americanas, os novos rumos da cooperação dos EUA para combater os cartéis de narcotráfico na Colômbia.
Depois de seis dias consecutivos de combates, em várias regiões do país, a calma parecia ter voltado à Colômbia hoje. Segundo dados oficiais, os militares mataram 286 rebeldes durante os conflitos dos últimos dias, que antecedem à reunião de ontem (13) entre os representantes da guerrilha e do governo, para o início de uma nova e decisiva etapa das negociações de paz.
Um comunicado das Farc entregue a redações de jornais e agências de notícias de Bogotá, porém, rechaça os números do governo e as alegações de que sofreu a maior derrota de sua história nos combates dos últimos dias. "A atitude das forças governamentais é mesma dos últimos 35 anos, ou seja, a de mentir sobre os verdadeiros resultados de seus confrontos com as Farc"
dizia a nota, por meio da qual os rebeldes reconheciam ter sofrido 40 baixas. "A intenção dessas forças é a de fazer a opinião pública nacional e internacional acreditar em nossos vínculos com o narcotráfico e estimular os EUA a investir mais na guerra em nosso país sob o pretexto de combater esse delito."
O comandante das Forças Armadas colombianas, general Fernando Tapias, no entanto, reiterou ontem que as Farc sofreram um de seus mais retumbantes fracassos ao falhar na "ofensiva total" que lançara. De acordo com a visão dos militares, os guerrilheiros buscavam submeter as forças do governo em várias regiões do país para que chegassem em situação de superioridade nas negociações de paz de terça-feira.
Para isso, a guerrilha teria movimentado entre 12 mil e 15 mil homens de seu efetivo total estimado em 17 mil combatentes. "Eles precisam reconhecer que a estratégia deles fracassou totalmente", disse o general.





