'Colocaram os loucos na rua'
''Tiraram os loucos dos manicômios e colocaram na rua.'' Essa é a avaliação do diretor da Associação Londrinense de Saúde Mental, Armando Teodoro, sobre a a reforma psiquiátrica. Segundo ele, a lei está longe de ser realmente implantada, mesmo dez anos após sua criação.
A situação em Londrina, na opinião de Teodoro, é complicada. ''A saúde, em geral, está em uma condição caótica e a área da saúde mental mais especificamente é a menos atendida. No Caps III, no Jardim Alto da Boa Vista (Zona Norte), há apenas um psiquiatra atendendo. É uma piada'', afirma o radiologista. Para ele, muitas pessoas que estão vivendo nas ruas ou acabam presas por envolvimento com o tráfico de drogas são, ou deveria ser, pacientes de saúde mental.
Teodoro não é favorável ao fechamento de hospitais psiquiátricos. Para ele, em casos extremos ou crônicos, o internamento é necessário. Ele salienta que os hospitais do município deveriam reservar leitos para receber pacientes de transtornos mentais, conforme prevê a legislação.
Outro problema são os vencimentos destinados aos psiquiatras para atuarem no Caps, que não atraem candidatos. ''Quem cursa medicina para receber um salário baixo em condições inadequadas? Além dos médicos, os outros funcionários não aguentam e acabam saindo também'', aponta Teodoro, que é paciente e chegou a ficar internado numa clínica psiquiátrica em Rolândia há cerca de cinco anos.
''Tive um surto após a morte de minha mãe. Tenho esquizofrenia e transtorno bipolar'', afirma ele, que continua se medicando diariamente. ''Tenho que me cuidar, 100% da minha atenção está voltada para isso e o atendimento de saúde mental na cidade que para mim já é uma causa, uma terapia até'', confessa.(D.B.)





