Colo retal, um dos mais traiçoeiros
O câncer de colo retal é conhecido como um dos mais traiçoeiros. Por quê?
Hoff - Ele é agressivo. E os sintomas não são específicos. Eles podem muito bem ocorrer com uma pessoa normal: prisão de ventre, cólica e fezes fininhas, por exemplo. Nos Estados Unidos, onde são 150 mil novos casos a cada ano, ele já é considerado epidêmico.
Como ele age no organismo?
Hoff- Ele aparece na parede interna do intestino grosso, o cólon. Depois de invadir toda a parede, as células doentes aprendem a ''viajar'', caindo na corrente sanguínea. As células normais do cólon, se caírem na circulação, morrem. Mas as doentes sofrem uma mutação e conseguem fazer isso. Os primeiros lugares que elas atingem são os linfonodos (áreas de defesa do corpo) ao redor do próprio cólon. Depois, vão para o fígado. Mas todo esse processo leva um bom tempo para acontecer.
Os exames preventivos podem ser eficazes?
Hoff- Há dois tipos de exames eficazes. Um, é a detecção de sangue oculto nas fezes. Alguns dias antes do exame, o paciente faz uma dieta especial, sem comer carne, por exemplo. O alimento pode levar a um resultado falso positivo. A detecção de sangue é um indício de que há algo errado no cólon. Esse exame deve ser feito todo ano. Ele diminui em 30% as chances de câncer. O outro é a colonoscopia, que diagnostica e trata ao mesmo tempo. Nele, um tubinho com fibra ótica entra pelo ânus é vai até o cólon. Lá, ele não só detecta os pólipos (formações benignas no tamanho de uma verruga que podem dar origem ao câncer), como é capaz de retirá-los. O momento ideal da prevenção é exatamente quando os pólipos ainda não se transformaram em tumor. A colonoscopia deve ser feita a cada dez anos. Não existe um dado concreto, mas sabe-se que as chances de desenvolver o câncer para quem se submete a esse exame diminuem em mais de 30%.
Qual é a idade ideal para começar a fazer esses exames?
Hoff- O câncer de colo retal é mais frequente a partir dos 60 anos. Por isso, a indicação é que esses exames comecem a ser feitos a partir dos 50 anos, quando as chances de o tumor ser ainda um pólipo são maiores. Essa é uma vantagem desse tumor em relação aos outros, ele permite o diagnóstico antecipado. Mas há exceções, claro. Meu paciente mais jovem tem 12 anos. E quem tem histórico familiar deve começar a fazer bem antes dos 50. A data exata, nesse caso, deve ser determinada de forma individual.A.E.)





