Washington, 12 (AE) - O ex-presidente Fernando Collor de Mello negou, em carta publicada na edição de ontem do "Estado"
que tenha qualquer vínculo com o empresário brasileiro Oscar de Barros, preso há duas semanas em Miami pelo FBI, sob acusação de envolvimento num esquema de lavagem de dinheiro. O ex-presidente afirmou também que interpelaria a Receita Federal, que estabeleceu um elo entre Collor e Barros, na Flórida, segundo reportagem do "Estado" de ontem (11), que Collor contestou.
Documentos obtidos na Divisão de Corporações da Secretaria de Estado do governo da Flórida mostram que as empresas do ex-presidente e de Barros usaram o mesmo representante, o advogado Alvaro Castillo, de Miami, nos relatórios anuais que apresentaram à repartição. O nome de Castillo aparece como "agente" da Gazeta de Alagoas Holding Corporation, no relatório anual de 1996, e como "agente" e "executivo e/ou diretor" da Gazeta de Alagoas International Corporation no relatório anual de 1998. Neste último documento, Castillo dá como endereço 1390 Brickell Ave. Suite 200, Miami, Fl, 33131.
O mesmo Castillo, com idêntico endereço, assinou como "agente" os documentos de incorporação da Telemarketing Management and Administration, Inc., constituída em Miami em julho do ano pasado. Os diretores da Telemarketing são Oscar de Barros, José Maria Teixeira Ferraz, que foi preso junto com Barros, e Ney Lemos Santos. O nome de Castillo aparece também como "agente" também nos relatórios anuais mais recentes de duas outras empresas de Barros, a Overland Financial Corporation e a Overland Advisory Services. O fato de as firmas de Collor compartilhar o mesmo representante legal com as empresas de Barros perante as autoridades da Flórida não prova que o ex-presidente tenha negócios com ele nem que seja alvo das investigações que levaram à prisão de Barros e de seu sócio na Telemarketing, José Maria Teixeira Ferraz. Mas indica a existência do elo que despertou o interesse da Receita Federal durante uma investigação não relacionada com o caso atual. Segundo fontes oficiais, essa investigação foi encerrada em virtude das dificuldades de cooperação formal com o fisco americano derivadas da ausência de um acordo sobre questões tributárias entre o Brasil e os Estados Unidos.
Em Miami, as notícias da prisão de Barros e da investigação que o departamento de Justiça dos EUA conduz sobre violação de lei anti-suborno pela empresa Metrored, uma subsidiária brasileira da administradora de investimentos Fidelity, reavivaram nos últimos dias a memória de líderes da comunidade sobre "um grande negócio" que o empresário anunciou em meses recentes em rodas de conversas. De acordo com uma dessas versões, Barros teria dito a vàrias pessoas que teria realizado uma operação de US$ 22 milhões com uma empresa do setor de telecomunicação no Brasil, ligada a um grande grupo americano.
Barros disse a algumas pessoas que esperava embolsar US$ 10 milhões, mas só havia recebido um primeiro pagamento de US$ 2 milhões. US$ 22 milhões é o montante de dinheiro que Barros e Ferraz podem ter lavado, segundo o processo criminal instalado contra eles na Justiça Federal da Flórida.
É certo que o empresário estava empenhado em elevar seu perfil. De acordo com uma fonte oficial, no final do ano passado
Barros ofereceu US$ 10 mil à Câmara de Comércio Brasil-Flórida em troca da garantia de que teria um lugar ao lado do ministro da Fazenda, Pedro Malan, num almoço organizado pela entidade, em Miami. A oferta foi recusada pelos organizadores e Malan acabou cancelando sua ida a Miami , por outras razões.

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