Colisões na Castelo deixam 12 mortos e 25 feridos
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sexta-feira, 05 de julho de 2002
Rogério Panda eJosé Maria Tomazela<br> Agência Estado 
São Paulo - Três acidentes envolvendo 27 veículos, entre os quilômetros 82 e 89 da Rodovia Castelo Branco, deixaram 12 pessoas mortas, 13 gravemente feridas e 12 com ferimentos leves na madrugada de ontem, em Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo. A causa dos acidentes, de acordo com a Polícia Rodoviária Estadual, foi a forte neblina que cobria a estrada.
Onze pessoas morreram no local, entre elas seis policiais militares do Batalhão de Bauru. A menina Daiane Cristine Godoy Nicoline, de 11 anos, que estava sendo levada para o Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, onde seria operada, foi levada com vida ao Hospital Regional de Sorocaba, mas não resistiu.
O acidente foi o mais grave da história da rodovia, inaugurada no final da década de 60, segundo policiais rodoviários. As duas pistas foram interditadas. Visto do alto, aquele trecho da rodovia parecia um cenário de guerra.
Acidentes - De acordo com os policiais que estavam no local, o primeiro acidente aconteceu às 5h25 no KM 82 da pista capital-interior. Um caminhão que carregava areia foi fechado por outro. A carreta de um dos caminhões se soltou e uma ambulância que vinha atrás entrou embaixo do carreta. Duas pessoas morreram na hora e Daiane foi socorrida. O motorista que teria fechado o outro caminhoneiro teria fugido sem prestar socorro.
Logo depois, no KM 89, no mesmo sentido da Castelo Branco, um Voyage bateu em outro caminhão e se incendiou. No carro estavam duas mulheres, uma delas grávida, e uma criança. Todos morreram carbonizados.''A neblina estava muito pesada'', disse o tenente da Polícia Rodoviária Gilberto de Almeida Bento Dias.
A fumaça do Voyage queimando e a neblina teriam causado o engavetamento de diversos carros na outra pista sentido interior-capital , onde foi registrado o maior número de colisões, mortos e feridos. Seis dos sete policiais da região de Bauru que viajavam em uma Blazer da Polícia Militar e fariam exames no Hospital Militar, em São Paulo, morreram no local. ''As pessoas foram diminuindo a velocidade e aconteceu o engavetamento'', disse o tenente. Ao todo, se envolveram nos acidentes 13 caminhões, 4 carretas e dez carros.
De acordo com testemunhas, a visibilidade não chegava a dez metros. ''Quando você via a coisa já estava em cima. Foi uma loucura'', disse o caminhoneiro Agnaldo José Pereira dos Santos, de 29 anos, que ficou levemente ferido.
Saque - Após o acidente, moradores da região saquearam parte das cargas que estavam espalhadas pela pista. Alguns, que chegaram de bicicleta, chegaram a discutir com os policiais. ''Tá todo mundo levando, eu também vou levar'', disse um homem que estava pegando açúcar, pão e caixas de madeiras e não quis se identificar. Alguns moradores da região levaram carrinhos de mão e pá para recolher a areia de um caminhão tombado na estrada e levaram para casa. Ninguém foi preso pela polícia.


