Quatro pessoas morreram e pelo menos 34 ficaram feridas em um choque de dois trens, ontem pela manhã, em Piedade, zona norte do Rio. O acidente ocorreu no ramal auxiliar de Belford Roxo, entre as estações de Cintra Vidal e Thomás Coelho, na altura do desvio de Terra Nova. O trem A-24, que seguia de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, para a Central do Brasil, no Centro, bateu de frente com a composição A-19.
O trem A-24 estava na linha 2 e foi obrigado a mudar para linha 1, depois de ser informado pelo centro de operações de que havia um trem de serviço parado à sua frente. No mesmo momento seguia pela linha 1, em sentido contrário, o A-19, que teve de entrar no desvio de Terra Nova. Em vez de parar para esperar que o A-24 passasse, o A-19 seguiu, provocando o choque. Toda a cabine e parte do primeiro vagão do A-24 ficaram destruídas. Havia 250 passageiros nas duas composições.
Morreram na hora o maquinista Francisco José Goulart, de 51 anos, condutor do trem A-24, e os passageiros Francisco Daniel Pereira Martins, de 29 anos; Alexsander Franco Las Casas, 25; e Geraldo da Silva Rocha, 55. Os 34 feridos foram levados para os hospitais Salgado Filho, no Méier, e Getúlio Vargas, na Penha, ambos na zona norte do Rio. Os bombeiros demoraram duas horas e meia para retirar o corpo de Goulart das ferragens. O maquinista trabalhava há 24 anos na rede ferroviária.
‘‘Foram três minutos de terror’’, resumiu Ademir Carvalho, de 38 anos, um dos sobreviventes. Este foi o segundo acidente no ramal em menos de 24 horas. Às 17 horas de segunda-feira, um carro de um trem descarrilou perto da estação da Pavuna, na zona norte, atingindo postes e uma casa ao lado da linha. Ninguém ficou ferido.
O presidente do Sindicato dos Ferroviários, Valmir de Lemos, o ‘‘Índio’’, atribuiu o acidente a uma falha da sinalização. Segundo ele, os cabos de transmissão de informações são velhos, feitos de cobre, e precisam, urgentemente, ser trocados por cabos de fibras óticas. ‘‘A rede ferroviária foi privatizada, mas não houve investimentos na manutenção e na segurança dos usuários’’, criticou, referindo-se à Supervia, consórcio de empresas espanholas que comprou a rede em novembro passado.
O diretor-adjunto de Operações da Supervia, Ronaldo Coutinho, rebateu as críticas do sindicato. ‘‘Não foi problema de sinalização, porque fazemos manutenção do sistema diariamente’’, garantiu. Coutinho disse que será aberto um inquérito administrativo para apurar as causas do acidente.
‘‘Ainda não podemos dizer se houve erro humano ou uma falha técnica’’, disse. ‘‘Nesse momento, o sinal do desvio está vermelho, mas não podemos dizer se na hora do acidente ele estava assim’’, acrescentou Coutinho, dando a entender que o acidente poderia ter ocorrido por desatenção do maquinista Eduardo França de Oliveira, de 38 anos, 17 de profissão.
O secretário estadual de Transportes, Raul de Bones, que esteve no local do acidente, disse que vai montar uma comissão paralela para apurar o caso.
O maquinista Oliveira, que teve apenas ferimentos leves, fugiu do local. A Associação dos Maquinistas Ferroviários informou que ele estava de licença médica e não poderia estar trabalhando.

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