Na região de Londrina, segundo a Polícia Ambiental, a maior incidência de atropelamentos acontece na zona sul, na região dos condomínios horizontais, revelando os efeitos acarretados pela urbanização de áreas antes ocupadas por matas. Mas em outras regiões que compreendem a zona de atuação da corporação os atropelamentos também acontecem com certa frequência. "Nessa época, com o início da colheita de cana e das queimadas em algumas regiões, os animais habituados a percorrerem as lavouras acabam indo para as rodovias e aumenta o índice de felinos encontrados mortos. Também aumenta o número de resgates de animais vivos que acabam indo parar em quintais de residências", disse a relações públicas da Polícia Ambiental, soldado Camila Reina.

O período de inverno também favorece os atropelamentos porque anoitece mais cedo, quando o fluxo de veículos nas estradas ainda é grande. Para os animais de hábitos noturnos, a hora de sair do abrigo é quando escurece. "O pessoal ainda está nas estradas e os animais já estão saindo para procurar alimentos. Por isso aumentam os atropelamentos", explicou a soldado.

De maio a julho do ano passado, a Polícia Ambiental em Londrina contabilizou oito atropelamentos. Neste ano, entre maio e junho – os dados de julho ainda não foram fechados – foram quatro animais atropelados. Cachorro-do-mato, onça-parda, gato-mourisco, furão, capivara, veado, raposa e tatu estão entre as vítimas, mas a Polícia Ambiental tem em seus registros atropelamentos envolvendo também o gato-maracajá e a jaguatirica. Entre as aves, exemplares da coruja-buraqueira e da coruja suindará, também conhecida como coruja-da-igreja, são constantemente encontrados mortos nas estradas.

Gestor ambiental da ONG MAE e conselheiro do Meio Ambiente em Londrina, Gustavo Góes aponta a região do Ribeirão dos Apertados, no trecho da PR-445 próximo a Eletrosul, como um dos locais com maior incidência de atropelamentos de animais silvestres. "Essa região foi apontada pelo Ministério do Meio Ambiente como prioritária e deveria ser uma unidade de conservação. A ONG estuda as áreas e aponta qual tipo de unidade de conservação é mais indicada para ser formada no local", disse Góes. "Já encontramos antas atropeladas naquela região, um animal ameaçado de extinção e que percorre longas distâncias. É uma perda grande para a biodiversidade e pode causar acidentes seríssimos." (S.S.)

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