Belo Horizonte, 28 (AE) - As regiões produtoras de café em Minas já deram início à colheita da safra deste ano. O volume de café colhido ainda é pequeno, a não ser na região da Zona da Mata, que já colheu cerca de 40% do café plantado. A qualidade do grão colhido tem mantido o mesmo padrão identificado na colheita do ano passado. O sul de Minas, maior região produtora do Estado, colheu até agora pouco mais de 10% do café plantado.
"Tivemos pequenos problemas com o excesso de café verde no início da colheita mas já orientamos os produtores que esperaram por uma melhor maturação do grão", explica um dos coordenadores do departamento técnico da Cooperativa dos Produtores de Café de Guaxupé (Cooxupé).
O sul de Minas responde por cerca de 50% de toda a produção de café no Estado. Este ano serão colhidas cerca de 11 7 milhões de sacas em Minas, sendo que o sul deve colher cerca de 6,5 milhões de sacas de café arábica. A Cooxupé pretende fazer uma terceira estimativa de safra agora em julho. A divulgação desta estimativa está prevista para o início de agosto. Apesar do pequeno volume colhido, os técnicos da Cooxupé avaliam que a qualidade do grão manteve o mesmo padrão de qualidade da safra passada.
A única preocupação dos técnicos da Cooperativa de Guaxupé é com relação à grande variação de temperatura na região. "A temperatura tem variado de mínimas de 11,2 graus centígrados à máximas de 27,4 graus centígrados, o que pode causar um tipo de estress na planta", explica uma fonte da Cooxupé. Ainda assim, o clima tem se mantido firme na região sul de Minas. "Não temos nenhuma sinalização de possíveis ocorrências de geadas", explica a fonte.
No cerrado mineiro cerca de 30% da safra já foi colhida e assim como no sul de Minas a qualidade do grão tem se mantido. Segundo levantamento do Departamento Técnico da Conselho das Associações de Cafeicultores do Cerrado (Caccer), a região deve colher este ano entre 2,4 milhões a 2,7 milhões de sacas. O clima também tem sido favorável na região do cerrado. "As mínimas da madrugada não tem passado dos 11 graus centígrados e o ar tem estado bastante seco com uma boa insolação durante o dia", argumenta um dos técnicos do Caccer.
A Zona da Mata, que responde historicamente por cerca de 18% da produção de café em Minas, de acordo com dados da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), já colheu cerca de 40%, segundo informações do Sindicato dos Produtores Rurais de Manhuaçu. Aqui também a qualidade dos grãos manteve-se em relação ao ano passado.
A oferta de café no mercado tem mantido um equilíbrio em termos de demanda das indústrias do setor. Ao menos esta é a avaliação de Ricardo Tavares, diretor da torrefadora Café Três Corações. Segundo o executivo, 80% do café que tem sido comprado no mercado já é proveniente da nova safra que está sendo colhida. A Três Corações comercializa cerca de 50 mil sacas de café por mês, entre mercado interno e exportação.
Tavares ressalta que a qualidade do grão tem mantido uma tendência de melhora, a cada safra que passa. "O produtor brasileiro tem produzido cada vez mais um café de maior qualidade", argumenta. Para Ricardo Tavares não existe o risco de um excesso de oferta a partir de julho, período onde se concentra o maior volume de café colhido. "A safra brasileira este ano é pequena e não deve haver uma forte oferta de café", avalia.
Para o executivo a volatilidade do mercado de café deve se manter nos próximos dias. "Se tivermos geada a bolsa volta a subir", avalia. De qualquer maneira, Tavares não arrisca fazer previsões sobre como os preços de café nos próximos dias devem se comportar.

mockup