Coletores fazem protesto após demissões
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quarta-feira, 12 de março de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina Bairros da zona sul, leste e oeste de Londrina ficaram sem coleta de lixo domiciliar na manhã de ontem. Cento e setenta trabalhadores da empresa Paviservice cruzaram os braços após a demissão de três colegas e ainda para cobrar melhorias nas condições de trabalho. Os manifestantes só aceitaram retomar as atividades depois que uma reunião para discutir as reivindicações foi agendada para sexta-feira.
A demissão dos trabalhadores foi comunicada no início da manhã. Paulo Cesar Floriano, de 35 anos, estava na lista dos dispensados. "Disseram que foi por falta de limpeza nos caminhões. Isso é uma falta de respeito. Quando a gente faz a limpeza até cai chorume em cima da gente", contou Floriano. Entre os demitidos também estava Paulo César da Silva, diretor do sindicato que representa os trabalhadores.
Revoltados com a decisão, os coletores cruzaram os braços por volta das 6h30 e deram início a uma manifestação pacífica no pátio da empresa. Integrantes do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação (Siemaco) e representantes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) acompanharam o protesto.
Os funcionários também reclamam da falta de equipamentos de proteção. "O chorume passa pela luva e contamina a mão da gente", disse um dos trabalhadores. "Eles lucram e a gente fica sem nada. Os coletores precisam ser valorizados. Está cada vez pior", desabafou outro funcionário.
A coleta foi retomada ao meio-dia. Segundo a presidente do Siemaco, Izabel Aparecida de Souza, os funcionários que haviam sido demitidos continuarão na empresa. "Houve também a garantia da permanência destes três funcionários por mais 90 dias. Como trabalhadora, acredito que houve abuso de poder neste caso", alfinetou.
O gerente da Paviservice, Reginaldo Queiroz, explicou que há "apenas a garantia de que não haverá demissões em massa". Ele justificou as demissões com o argumento de que teria havido insubordinação por parte dos três funcionários. "Eles se negaram a limpar a caixa de contenção de chorume que fica no caminhão da coleta. Assim como os motoristas são responsáveis pela limpeza das cabines, eles precisam limpar essa caixa", ressaltou.
A Paviservice, de Curitiba, assumiu a coleta do lixo domiciliar em 20 de dezembro do ano passado. O contrato é válido por um ano, mas pode ser prorrogado por igual período.
Queiroz garantiu que os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) foram entregues aos trabalhadores. "O desgaste ocorre. É normal. Esses itens vão ser substituídos", prometeu, sem mencionar prazos.
A CMTU notificou a Paviservice para regularizar a coleta de lixo até a zero hora de hoje. A companhia não informou o valor do contrato firmado com a empresa.


