Coletivos feministas protestam no Calçadão
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sábado, 07 de março de 2015
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Elas não querem flores, querem direitos. Por isso, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, integrantes de diversos coletivos feministas foram ontem ao Calçadão de Londrina expor suas pautas de reivindicação com relação à garantia de direitos da população feminina. Saúde, trabalho, violência, exploração sexual e o preconceito racial foram alguns dos assuntos colocados em debate. Quem passou pelo local durante a manhã pôde observar cartazes e outros elementos de protesto contra o que chamaram de "banalização do Dia Internacional da Mulher".
"Nossa preocupação é dar visibilidade ao que é feminismo atualmente. Queremos garantir a participação das mulheres em todos espaços em condição de equidade, para que tenham condições de se desenvolver plenamente", disse Elaine Galvão, coordenadora da regional Paraná da Rede Feminista de Saúde.
Débora Anhaia de Campos, membro do mesmo coletivo, reforçou que o Dia da Mulher foi criado para ser um dia de luta, mas acabou banalizado pelo comércio. "Viemos ao Calçadão para gerar uma inquietação entre as pessoas que estão passando por aqui", destacou.
Violência obstétrica, a garantia dos direitos reprodutivos e sexuais às mulheres e até mesmo o acesso à saúde garantido para prostitutas que muitas vezes não são sequer cadastradas no Sistema Único de Saúde (SUS) são algumas das pautas do coletivo. "Uma discussão importante é o papel ativo da mulher na maternidade e no parto", destacaram.
Sandra Rocha, do Conselho Municipal de Promoção de Igualdade Racial (PIR) e gestora municipal dos programas de promoção de igualdade racial do município participou do evento para divulgar as especificidades da luta das mulheres negras. "São duplamente discriminadas, por serem mulheres e por serem negras", afirmou. "No mercado de trabalho, por exemplo, elas estão sempre atrás do homem branco, da mulher branca e do homem negro. Além disso, nas estatísticas são apontadas como a parcela da população que mais cuida da família. São especificidades que os movimentos negro e feminista não dão conta", argumentou.
O mesmo vale para questões de saúde. De acordo com Sandra, as mulheres negras são discriminadas pelos serviços públicos. "Pesquisas indicam que recebem menos anestesia no parto pela crença de que são 'mais fortes'. A anemia falciforme, que acomete apenas a população negra, nem sempre é reconhecida pelos médicos", acrescentou.
A militante Poliana dos Santos representava a Marcha Mundial de Mulheres, um coletivo presente no mundo todo que foi criado para chamar a atenção sobre as várias discriminações causadas pelo machismo, inclusive com relação ao trabalho. "As mulheres trabalhadoras ainda ganham menos que os homens e nem sempre têm oportunidade de chegar a altos cargos. Na política, ainda somos minoria. O objetivo da Marcha é garantir espaço para a discussão destes temas", afirmou.
Outro coletivo presente era o Maria Vem Com a Gente, criado para ser um espaço de acolhimento de mulheres vítimas de violência e outros tipos de agressões decorrentes do machismo. "Não havia em Londrina um coletivo formado só por mulheres, onde as meninas se sentissem à vontade para expor suas denúncias e angústias. Notamos que elas ficam mais à vontade em um grupo exclusivamente feminino", relatou Denise Soares.
O coletivo tem realizado outras ações na cidade. Uma delas é o "Flores do Cárcere". "Arrecadamos materiais de higiene para as detentas do 3º Distrito Policial de Londrina", contou.


