Coletiva seletiva cresceu 66% no país em quatro anos
São Paulo, 27 (AE) - A coleta seletiva de lixo cresceu 66% no País em quatro anos. Entre 1994 e 1998, o número de municípios que realizam esse tipo de coleta passou de 81 para 135. Como consequência, multiplicaram-se as pequenas indústrias dedicadas à reciclagem e uma parte dos mais de 200 mil catadores de lixo do País passaram a desfrutar de melhores condições de vida, passando a trabalhar não mais em lixões a céu aberto, mas em galpões de triagem organizados. Apesar disso, mais de 80% das 100 mil toneladas de lixo que o Brasil produz diariamente ainda vão para lixões a céu aberto e 28% dos municípios não dispõem de nenhum tipo de coleta regular de lixo.
Os dados foram divulgados hoje durante o seminário Gestão Integrada da Coleta Seletiva, promovido pela Confederação Nacional da Indústria, Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. Com mais de 500 participantes, o evento expôs experiências de cidades de pequeno, médio e grande portes e lançou o Guia da Coleta Seletiva de Lixo para orientar prefeituras, escolas, condomínios ou entidades a organizar a coleta seletiva.
Fernando Von Zuben, presidente do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), destacou o papel do poder público na organização da coleta seletiva, assim como na estruturação de um mercado para esse material, por meio de crédito para que pequenas e microempresas de reciclagem e cooperativas de catadores possam equipar-se.
"Coleta seletiva não é rentável em nenhum país do mundo, mas dá votos porque sensibiliza a população", frisou Zuben, lembrando que a reciclagem, além de reduzir a poluição, cria empregos e melhora a saúde pública. Em Porto Alegre, a coleta seletiva ocupa mais de 300 pessoas na separação dos materiais, sem contar os empregos criados nas indústrias de reciclagem que surgiram em torno da capital gaúcha. Em Coimbra, cidade mineira de 5 mil habitantes, a separação dos resíduos orgânicos e sua transformação em adubo reduziu os casos de gastroenterite de sete por semana para um ao mês, em apenas seis meses.





