Londrina - ''No Brasil ainda temos um longo caminho a percorrer no que diz repeito à coleta seletiva. Os governos precisam implantar um sistema estruturado por meio de políticas públicas, como acontece em outros países. A coleta não pode ser encarada como um projeto de inclusão social. É preciso ir além.''
A afirmação é do presidente da Associação de Catadores do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, Sebastião Santos, o conhecido Tião do documentário ''Lixo Extraordinário'', indicado ao Oscar deste ano.
Segundo ele, a coleta seletiva ainda ''engatinha'' no País. Uma das principais causas é que no Brasil o trabalho do catador é decorrente da pobreza e da exclusão social, enquanto que em outras nações o sistema é implantado por vontade política e consciência ambiental.
''Além disso, a consciência do brasileiro ainda não despertou para a importância da separação correta dos resíduos'', criticou Tião, que está em Londrina para ministrar palestra no 4º Congresso Nacional de Responsabilidade Socioambiental, promovido pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento do Paraná (ABTD).
Tião vem de uma família de catadores e desde muito cedo começou a trabalhar em um aterro no Rio de Janeiro. Ele lamentou que o preconceito contra o catador ainda seja grande no País. ''As pessoas acham que o catador é mendigo ou alguém que não quer trabalhar. Poucos enxergam o trabalho como uma profissão'', salientou. Segundo ele, o Brasil conta hoje com cerca de 1 milhão de catadores.
O documentário ''Lixo Extraordinário'', de acordo com Tião, contribuiu para que a sociedade mudasse a imagem que tem da pessoa que trabalha com lixo. ''Nós não ganhamos o Oscar, mas conseguimos transmitir a mensagem desejada. As pessoas começaram a enxergar o catador como um trabalhador honesto, que desempenha uma função digna para sustentar a família''.
Oriundo de uma família pobre, a vida de Tião mudou completamente após o documentário. Ele contou que conheceu o artista plástico Vik Muniz em 2007, ano em que a produção do ''Lixo Extraordinário'' teve início. ''Quando terminamos o documentário, chorei bastante e não imaginava o que ainda estava por vir. Hoje viajo o mundo como palestrante. Minha autoestima é maior, minha situação fincanceira melhorou bastante e tenho uma outra visão em relação ao mundo'', destacou.
Por todas as cidades por onde passa, Tião faz questão de conhecer o sistema de coleta seletiva do local. Um ponto positivo de Londrina, na opinião dele, é que há catadores remunerados pelo município, o que não acontece no Rio de Janeiro, por exemplo.

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