Coleta e limpeza de garrafas PET geram faturamento de R$ 15 milhões
Coleta e limpeza de garrafas PET geram faturamento de R$ 15 milhões13/Mar, 15:41 Por Viviane Mottin São Paulo, 13 (AE) - Fabricantes das embalagens de PET para refrigerantes querem acabar com a imagem sempre veiculada em épocas de enchente nas grandes cidades, de garrafas plásticas que bóiam junto aos bueiros, impedindo o escoamento da água. Eles tentam vender a idéia da reciclagem, iniciativa que gera faturamento de R$ 15 milhões anuais às centrais higienizadoras das garrafas e renda individual de R$ 200 a R$ 300 a trabalhadores sem qualquer especialização. Mas a Associação Brasileira dos Fabricantes de Embalagens PET (Abepet) reclama, por exemplo, que no Brasil há 70 projetos de lei voltados a punir a indústria fabricante das garrafas de plástico e nenhum que incentive o reaproveitamento do PET. O plástico reciclado paga 12% de IPI, enquanto sobre o material virgem incide 10%. Eles dizem, também, que não há um sistema de compensação de ICMS e outros impostos "jogados no lixo". "Deveriam existir projetos de lei que valorizassem o plástico reciclado", afirma o diretor executivo da Abepet, Alfredo Sette. Apesar dos problemas, no Brasil há 20 empresas de reciclagem de PET. No ano passado, elas processaram 50 mil toneladas, o equivalente a 20% de todo o PET transformado em garrafas no Brasil durante 1999 - porcentual igual ao do Japão. Embora utilizem apenas 50% da capacidade de processamento total de 100 mil t/ano, essas indústrias têm que importar sucata de PET da Argentina, do Paraguai e do Uruguai. O material moído atravessa as fronteiras, porque no Brasil não há coleta seletiva suficiente para alimentar as processadoras, explica Sette. Ou seja, se as indústrias brasileiras de reciclagem de PET usarem toda a sua força produtiva, têm capacidade para reciclar até 40% das garrafas de plástico que hoje vão parar nos aterros sanitários ou lixões. Para montar uma indústria de reciclagem de PET são necessários de US$ 2 milhões a US$ 3 milhões, as máquinas podem ser adquiridas no mercado interno. Por trás dessa grande estrutura há ainda outras de menor porte que geram emprego e renda de R$ 200 a R$ 300 mensais para trabalhadores sem qualquer especialização, como os catadores de lixo. Eles separam o PET de outros plásticos (a tampa da garrafa de polietileno de alta densindade, não pode ser reciclada junto) e o entregam em uma central, onde o plástico é lavado e organizado em fardos, para depois ser encaminhado às indústrias de reciclagem. A grande indústria, que recicla, paga às centrais R$ 300 a tonelada de garrafas de PET limpas, enquanto uma tonelada de matéria-prima virgem, em fevereiro, custava R$ 1,2 mil. No ano passado, só as centrais que recolhem e lavam as garrafas faturaram R$ 15 milhões. O País poderia economizar muito mais, indica a Abepet, caso as leis incentivassem essa prática. No ano passado, o Brasil importou cerca de 90 mil toneladas de PET, para atender à demanda brasileira de 280 mil toneladas da resina no mercado interno. Desse total, 85% são usadas na produção de garrafas para refrigerantes, produto que só pode ser embalado em recipientes de material virgem, pois o reciclado pode contaminar alimentos líquidos e sólidos. Do PET reciclado, 80% ou 40 mil toneladas são reutilizadas na produção de fibras de poliéster para a indústria têxtil. Os restantes 20% ou 10 mil toneladas são usados na injeção de calotas para a indústria automotiva, prendedores de cabelo, molduras para porta-retratos, frascos e embalagens rígidas para produtos de limpeza doméstica.





