Coleta de esgoto atende menos da metade dos brasileiros
A adoção do tema "saneamento básico" pela Campanha da Fraternidade de 2016 foi uma sugestão do Instituto Trata Brasil. A partir de dados do Ministério das Cidades, através do SNIS Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (ano 2014), o instituto mostrou que mais da metade da população brasileira ainda não possui acesso às redes de coleta de esgotos e somente 42,4% dos esgotos do país são tratados, o que significa que mais de 5 mil piscinas olímpicas de esgotos não tratados foram jogadas por dia na natureza. Além disso, conforme dados de 2013, cerca de 35 milhões de brasileiros ainda não possuem água tratada e mais de 5 milhões de pessoas não têm acesso a banheiros.
A pesquisa identificou ainda que mais de 3,5 milhões de brasileiros, nas 100 maiores cidades do país, despejam esgoto irregularmente, mesmo tendo redes coletoras disponíveis. Mais da metade das escolas brasileiras não tem acesso à coleta de esgoto e 47% das obras de esgoto do PAC, monitoradas há seis anos, estão em situação inadequada.
No Paraná, onde o acesso ao saneamento básico é melhor que a média brasileira, o problema está relacionado às populações que vivem em situação de vulnerabilidade em ocupações irregulares, sem acesso aos serviços de saneamento básico. Conforme o Trata Brasil, a rede de água atende 91,15% da população, a coleta de esgoto abrange 60% das pessoas e 63,75% do esgoto coletado é tratado.
A situação brasileira reflete diretamente na saúde. Estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) demonstra que para cada R$ 1,00 investido em saneamento, é possível economizar R$ 4,00 em saúde. Em 2013, segundo o Ministério da Saúde (DATASUS), foram notificadas mais de 340 mil internações por infecções gastrintestinais no país. Conforme a ONU, se 100% da população tivesse acesso à coleta de esgoto haveria uma redução, em termos absolutos, de 74,6 mil internações. Em 2013, 2.135 pessoas morreram no hospital por causa das infecções gastrintestinais. Se todos tivessem saneamento básico haveria redução de 329 mortes (15,5%). (Reportagem Local)






