COLESTEROL, O INIMIGO SILENCIOSO
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de abril de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Ele é fundamental para algumas funções celulares e para o funcionamento do cérebro e hormônios. Mas, em excesso, se torna um problema para o coração. Estamos falando do colesterol - mal silencioso - que, quando está alterado, não apresenta sintomas.
A médica cardiologista Divina Seila de Oliveira Marques, de Londrina, explica que o colesterol é uma substância que faz parte do organismo, mas, em excesso, pode formar placas de gordura nas artérias - a famosa aterosclerose. Esta, por sua vez, prejudica a passagem de sangue para o coração e pode causar doenças como infarto, derrame, aneurisma, e levar a pessoa à morte.
A noção de que colesterol bom era o menor que 200 mudou. Hoje, mais importante que o valor total do colesterol, é saber as frações de HDL e LDL, respectivamente os chamados bom e mau colesterol.
HDL é a abreviação de Hight Density Lipoprotein, ou lipoproteína de alta densidade. O HDL protege o coração porque retira o colesterol dos tecidos e o leva para o fígado, onde é eliminado ou reaproveitado.
Já o LDL é o Low Density Lipoprotein, ou lipoproteína de baixa densidade, que em altos níveis se deposita nas paredes das artérias formando placas de aterosclerose e trombos. O LDL é adquirido principalmente pela ingestão de alimentos gordurosos de origem animal.
A recomendação de especialistas é que o HDL seja maior que 45 em homens, e maior que 50 em mulheres. Já o índice recomendável de LDL depende de fatores de risco, como hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo, mas o desejável é que esteja abaixo de 130. Acima disso e dependendo dos fatores de risco, inicia-se a medicação, alerta.
Em diabéticos, que têm risco de formação de aterosclerose três a quatro vezes maior que os que não têm a doença, o ideal é que o LDL não passe de 100.
Cerca de 70% do colesterol é produzido no próprio organismo da pessoa, e 30% é proveniente da alimentação. Isso explica aqueles casos de pessoas que comem de tudo e não têm o colesterol alterado. Mesmo assim, enfatiza a médica, a alimentação é parte importante no processo, ainda mais em uma cultura que privilegia a grande ingestão de gorduras.
Leite integral e seus derivados, biscoitos amanteigados, sorvetes cremosos, embutidos, carnes vermelhas gordurosas e peles de animais (frango, por exemplo), são alguns dos alimentos mais ricos em colesterol, com destaque para a gema, que entra no preparo de vários alimentos.
O depósito de gorduras nas artérias, explica a médica, é considerado uma doença inflamatória. Por isso, quem já sofreu com algum evento cardíaco, independente do nível de colesterol, deve continuar com o tratamento medicamentoso. A ação do remédio, aponta, será para evitar o processo inflamatório e reduzir o tamanho da placa de gordura já existente.
A doença não tem cura, mas controle. Os medicamentos para controle do colesterol podem causar alguns efeitos colaterais, como dores musculares e cansaço. Daí a necessidade de acompanhamento médico: É preciso colher exames a cada quatro meses.


