Maceió, 30 (AE) - O Laboratório Central de Alagoas (Lacen) confirmou hoje que só este ano quatro pessoas morreram vítimas do vibrião colérico, em Alagoas. Entre elas, duas crianças pertencentes à mesma família, que mora em Murici, a 59 quilômetros de Maceió. A expansão do cólera assusta a população, mas o secretário estadual de Saúde, Jurandir Boia, descarta um surto da doença. Segundo ele, a situação é preocupante, mas está sob controle.
A Secretaria de Saúde do Murici, Sandra Tenório Acioli Canuto, disse que a primeira criança, de 1 ano e três meses, morreu porque quando chegou no hospital regional da cidade não havia soro. "O irmão dela, de apenas três meses, morreu em casa
na semana passada, porque a mãe, Elizabete Silva, não quis levá-lo ao hospital", afirmou a secretária, que é vice-prefeita do município.
Até o final da semana passada haviam sido registrados 93 casos suspeitos, 50 casos sendo investigados e 43 de coléra já confirmados. A maioria dos casos foi registrado na zona da Mata. Na região, oito munícipios estão em estado de alerta. Entre eles Murici e São José da Lage (onde as outras duas crianças morreram).
Segundo Boia, as cidades atingidas estão com os agentes de saúde nas ruas conscientizando a população e distribuindo hipocloreto de sódio. "Além disso, a Vigilância Sanitária e a Vigilância Epidemiológica estão percorrendo os municípios, fazendo levantamento da situação no abastecimento de água e investigando essas mortes para tomar outras providências", acrescentou o secretário.
Para José Lourenço Brotas, técnico da Divisão de Veiculação Hídrica da Secretaria de Saúde, o número de casos de cólera registrado este ano não é indicativo de surto. "O cólera é endêmico e a tendência é de queda no número de vítimas", afirmou Brotas. Segundo ele, nesse período pós-chuva a população consome água sem qualquer tratamento e, como o calor é grande, fica com diarréia e pensa que é cólera.
Em Murici, informou Sandra Tenório, 200 cacimbas existentes nas cidades estão sendo monitoradas, com coletas regulares, para verificar a qualidade da água. "A partir desse trabalho, detectamos algumas crianças acima de 5 anos com diarréia e tomamos providência para impedir que o quadro se agravasse", afirmou Sandra.
Para o prefeito de Murici, Remi Calheiros (PMDB), irmão do senador e ex-ministro da Justiça, Renan Calheiros (PMDB/AL), o cólera avança em seu município por causa da má qualidade da água distribuida pela Casal (Companhia de Abastecimento e água e Saneamento de Alagoas). Já a direção da Casal põe a culpa no prefeito, que estaria devendo cerca de R$ 1 milhão à companhia. "Isto não justifica, a obrigação da Casal é tratar a água que a população consome e paga", concluiu Calheiros.