O governador Jaime Lerner voltou ontem a Paranaguá para acompanhar a atuação de controle da epidemia de cólera e disse esperar que no prazo de uma semana a doença comece a se reduzir na cidade. No novo boletim divulgado na tarde de ontem, o número de casos subiu de 301 para 307. O número de ontem é idêntico ao apontado pelo Sindicato dos Servidores da Saúde (Sindsaúde), como sendo o total de doentes de cólera ainda na segunda-feira passada.
A Regional de Saúde investiga ainda outros sete casos suspeitos de cólera nos municípios litorâneos. São três em Antonina, três em Pontal do Paraná e um em Morretes.
Além do crescimento mais lento de casos em Paranaguá nas últimas 48 horas, o governador Jaime Lerner creditou seu otimismo às campanhas feitas no município com a finalidade de informar a população sobre os métodos de prevenção. Hoje e domingo, cerca de mil pessoas participam de um mutirão para prestar mais esclarecimentos a moradores de todos os bairros e ilhas do município portuário.
Questionado sobre os problemas de saneamento básico em Paranaguá e possíveis investimentos nessa área, Lerner disse que a solução para acabar com a precariedade do sistema - um dos fatores de contribuição para espalhar o vibrião da cólera - é de responsabilidade da empresa que explora o abastecimento de água. Segundo o governador, a Companhia Águas de Paranaguá tem todas as condições para promover as melhorias necessárias. ‘‘Se faltarem essas condições, o governo intervém’’, avisou.
As afirmações criaram novos constrangimentos entre o governador e o prefeito Mário Roque, que acabou desautorizando Lerner a falar no assunto para a imprensa. ‘‘Não era o momento de se falar em privatização. A Sanepar teve muito tempo para se instalar em Paranaguá e não se instalou’’, afirmou Roque. O prefeito disse que não se arrependeu de ter entregue o serviço de abastecimento a uma empresa privada, que segundo ele tem a aprovação de 85% da população.
Na segunda-feira passada, durante a primeira visita de Lerner a Paranaguá, Mário Roque não escondia a insatisfação com o governador diante da falta de apoio financeiro para obras no município. Ontem à tarde, o prefeito bem que tentou contornar os desentendimentos com o governador, mas não conseguiu deixar de fazer críticas, numa entrevista. Num primeiro momento, atribuiu a culpa pelos problemas de saneamento aos governos de José Richa, Álvaro Dias e Roberto Requião, chegando a tecer elogios a Lerner pelo apoio dado ao combate à doença em Paranaguá.
Quando ia embora num Corsa branco que estava impossibilitado de engatar marcha à ré, Roque acionou a buzina para que jornalistas que faziam uma entrevista no meio da rua, em frente ao QG de combate à cólera em Paranaguá, saíssem da frente. Com o carro já em movimento justificou a atitude: ‘‘O governo não manda dinheiro para o conserto e nem dá para dar marcha à ré no carro’’, ironizou.Mauro FrassonSistema precárioO prefeito Mario Roque (e) disse não se arrepender de ter privatizado abastecimento de água. O governador Jaime Lerner aponta responsabilidade da Companhia Águas de Paranaguá na melhoria do saneamento básicoDimitri do Valle

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