Colégio retoma rotina após morte de jovem
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segunda-feira, 19 de junho de 2017
Viviani Costa<br>Reportagem Local 

Alunos e professores do colégio estadual Professora Maria José Balzanelo Aguilera, no conjunto Cafezal (zona sul de Londrina), retomaram as atividades nesta segunda-feira (19) após o recesso em razão do feriado prolongado e em meio à comoção pela morte de um adolescente de 17 anos na frente da escola. O rapaz foi baleado por um policial militar no início da noite de quinta-feira (15). O PM que fez o disparo morava nas dependências da escola e atuava como caseiro.
Cartazes com pedidos de justiça e demonstrações de indignação permaneciam fixados nos muros do colégio nesta segunda. Estudantes que não acompanharam a manifestação de amigos e familiares da vítima na manhã de domingo (18) pararam para ler as mensagens. "Acho que isso [o disparo] foi desnecessário. Esse protesto é uma forma de tentar fazer justiça", comentou uma aluna, que não conhecia a vítima. "Achei muito confusa essa história. Falaram que ele estava pulando o muro, mas aqui isso é bem comum. O pessoal pula o muro mesmo para jogar bola", contou outra estudante. Duas quadras de esporte e uma pista de skate atraem os adolescentes ao colégio aos finais de semana.
Muitos preferiram não comentar o assunto e disseram não ter contato com o policial que morava na escola. Para os pais, o sentimento é de insegurança. "Quem não fica assustado?", perguntou a dona de casa ao levar a filha até o portão do colégio. "Fiquei muito chocado. Se os meninos invadiram a escola e esse foi o motivo, todo mundo que tem arma então pode sair matando? Dá medo pelos filhos da gente. A gente fica com o coração na mão", afirmou um gerente de transportadora. "A gente fica inseguro. Pode acontecer com a minha filha amanhã. O problema é que quando é um qualquer, a pessoa é punida na hora", criticou um comerciante.
As aulas ocorreram normalmente na manhã desta segunda-feira. Norberto Giacomini é diretor no Colégio Aguilera há 17 anos. Segundo ele, o jovem assassinado foi aluno da instituição até 2015. O diretor classificou o episódio como uma fatalidade. "Foi um fato lamentável. A direção da escola, obviamente, não concorda. Ninguém concorda ou apoia uma situação dessa, mas a gente também não sabe as circunstâncias em que tudo ocorreu. De qualquer forma, é um fato lamentável. A gente sempre orienta na escola que, primeiro de tudo, é preciso haver diálogo", ressaltou.
As escolas estaduais podem solicitar ao governo a presença de um PM para atuar como caseiro. Há poucos meses, o policial militar Bruno Zangirolami morava com a esposa na casa construída dentro do colégio. Conforme o diretor, ele fazia rondas e abordava adolescentes e jovens que consumiam drogas em frente ao colégio. A presença do PM teria ajudado a afastar usuários de drogas. A direção da escola desconhece qualquer histórico de desentendimento entre o policial e alunos.
Giacomini ressaltou que o colégio costumava oferecer atividades como cursos e aulas de práticas esportivas em horários alternativos e aos finais de semana. A escola é aberta quando recebe solicitação de grupos da comunidade. No entanto, a falta de parcerias inviabiliza a oferta de oficinas aos sábados e domingos. Sem opções de lazer no bairro, adolescentes pulam o muro para utilizar a estrutura. Durante a semana, times de futebol treinam no local e ex-alunos do colégio dão aulas gratuitas em um cursinho pré-vestibular voltado à comunidade.
Na retomada das atividades, professores foram orientados a conversar sobre o fato em sala de aula. "A gente tenta de todas as formas mostrar aos alunos a questão do respeito e do diálogo sempre. Pedi para que os professores abordassem o assunto e acalmassem os alunos. A gente espera que a paz possa reinar e que a justiça possa ser feita", comentou.
Após estudar no Colégio Aguilera, a vítima havia se matriculado em um curso supletivo na região central de Londrina. O policial procurou a delegacia logo após o crime. Ele foi preso e liberado na sexta-feira (16). No sábado (17), mudou-se do local.
De acordo com a chefe do Núcleo Regional de Educação, Lucia Cortez, a direção da escola vai escolher um novo caseiro para a escola. O escolhido será um funcionário público que não seja policial. Giacomini explicou que deve definir o nome do novo caseiro até esta terça (20).
O advogado Marco Aurélio da Assunção, que defende Zangirolami, explicou que, no fim de semana, o policial mudou-se da casa que ocupava no colégio com o intuito de garantir a própria segurança e a da esposa.
O porta-voz da PM, major Nelson Villa, informou que não constam registros de desvios de conduta no histórico do policial. Disse ainda que o caso já foi encaminhado à Justiça e que, paralelamente, um procedimento administrativo disciplinar foi instaurado pela corporação.(Colaborou Celso Felizardo)


