Colégio do Patrimônio Regina está entre os melhores do Paraná
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terça-feira, 11 de outubro de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 

Foi a partir de uma reflexão feita entre os professores e a equipe pedagógica que o Colégio Estadual do Patrimônio Regina, na zona rural de Londrina, seguiu por novos rumos. "Nós saímos em busca da nossa própria identidade. Que escola nós somos? Somos uma escola do campo ou uma escola da periferia de Londrina? Vimos que são as questões do campo que nos afetam. Se chove, os alunos não chegam aqui por conta das condições das estradas rurais. Em algumas famílias, temos os jovens que ajudam o pai na colheita e no plantio e precisamos estar atentos a isso", explicou a pedagoga Vera Lucia Moura. Conforme Vera, a expansão da área urbana tornou necessária a reflexão.
O colégio criado em 2007 atende 262 alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e também oferece ensino médio. A divulgação do desempenho dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) surpreendeu a equipe. A escola obteve a 17ª colocação entre as 368 listadas no ranking geral dos colégios estaduais do Paraná. Considerando somente as escolas da zona rural do Estado, o desempenho dos alunos do Patrimônio Regina (com média geral de 540,6) ficou atrás apenas do resultado obtido pelo Colégio Estadual Castro Alves, em Quedas do Iguaçu, no Oeste do Paraná, que obteve média de 542,1.
Para a professora de língua portuguesa Alessandra Cortes, as turmas menores ajudam os profissionais a acompanhar de perto as dificuldades dos alunos. "É bom para trabalhar a autoestima dos estudantes para que eles consigam superar as dificuldades. Como a escola do Patrimônio Regina é uma escola pequena, nós temos condições de atendê-los mais individualmente, isso permite que a gente acompanhe a evolução da aprendizagem", explicou. Os conteúdos são explorados de forma interdisciplinar e os alunos participam de projetos para a preservação do meio ambiente no entorno do patrimônio. "Nessa construção de uma identidade própria para o colégio, é importante que os alunos não só aceitem a escola, mas se reconheçam nela, acreditem nela e se empenhem para que o colégio melhore", destacou Alessandra.
A professora ajudou Marcos Eduardo dos Santos, de 17 anos, a perder o medo da folha em branco utilizada para as redações. O aluno que antes sofria para escrever o primeiro parágrafo e organizar as ideias no papel agora vai disputar a etapa estadual da Olimpíada de Língua Portuguesa. "Isso é muito gratificante. Sempre gostei de ler e escrever, tinha criatividade, mas não conseguia desenvolver os textos. Não conhecia muito bem as estruturas da redação", comentou o aluno. Durante a semana, Marcos ajuda os pais na manutenção do sítio. Nos finais de semana, ele trabalha como garçom.
O estudante mora em um sítio no Patrimônio Regina e pretende cursar Psicologia, assim como a colega de turma Jennifer Maria dos Santos, de 17 anos. A aluna mora em uma chácara no Distrito do Espírito Santo, vizinho ao Patrimônio Regina. Ela participou de uma prova oferecida por uma universidade particular de Londrina e conquistou bolsa de estudos parcial para cursar a graduação. "Eu sinto orgulho de morar aqui no patrimônio. Mesmo que eu consiga ter uma vida boa e fazer faculdade, não pretendo sair daqui", garantiu a jovem.
Segundo a chefe do Núcleo Regional de Educação de Londrina, Lucia Cortez, escolas da cidade que não apareceram no ranking nacional também tiveram um bom desempenho no exame. "Ainda está aquém do que a gente gostaria. Mas quando analisamos o todo percebemos que a comunidade escolar e a participação dos pais influenciam muito no resultado", destacou.
Entre os colégios estaduais de Londrina, tanto da área urbana quanto da zona rural, o colégio do Patrimônio Regina teve a terceira maior pontuação, atrás da média geral de 553,5 obtida pelo Colégio Aplicação (6º colocado no Paraná) e da média do Colégio Estadual Professor Newton Guimarães, de 569,6 (2º colocado no Estado).

BALANÇO
De acordo com o Censo da Educação Básica, mais de 2 milhões de estudantes estavam matriculados no 3º ano do ensino médio em 2015. Desse total, aproximadamente, 1,4 milhão foi inscrito no Enem, sendo que 1,2 milhão realizou as quatro provas objetivas, obteve notas maiores que zero e não foi eliminado na redação.
As médias nacionais de 2015 foram mais baixas em três das quatro áreas de conhecimento avaliadas pelo Enem: Ciências da Natureza, Linguagens e Matemática. Apenas em Ciências Humanas e na redação houve melhora no desempenho geral. A melhor média geral do País foi de 763,6, obtida por alunos de um colégio particular de São Paulo. Entre as escolas públicas, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, foi o melhor classificado com 721,95.
Na divulgação dos resultados, o Inep apresentou contextos diferenciados que podem ser considerados na classificação do desempenho das escolas. Em um dos cenários analisados, o Colégio Estadual do Patrimônio Regina ocupou a 10ª colocação entre os melhores do País. Esta classificação considerou escolas de pequeno porte, com estudantes de nível socioeconômico médio alto e em que pelo menos 80% dos alunos participantes fizeram todo o ensino médio no colégio avaliado.
Das quase 26 mil escolas que oferecem o 3º ano do ensino médio no Brasil, em torno de 15 mil tiveram os resultados divulgados na classificação geral. A publicidade dos dados considerou apenas as escolas que apresentaram o mínimo de dez alunos inscritos no Enem e com taxa de participação igual ou superior a 50% do total da turma de 3º ano. Os representantes das outras escolas participantes podem consultar os resultados por meio de acesso restrito. O desempenho médio dos institutos federais não foi incluído nas estatísticas divulgadas pelo Inep. Uma nova lista geral deve ser publicada até o final de outubro.


