Marcos Zanatta
De Maringá
O Colégio Estadual Alfredo Moisés Maluf, de Maringá, criou uma academia de letras para incentivar a leitura e valorizar a língua portuguesa entre os estudantes. A academia é apenas um dos projetos ‘‘diferenciados’’ adotados pela direção da escola nos últimos dois anos.
‘‘Convocamos a comunidade para melhorar a qualidade do ensino e não para reformar a escola, que é dever do Estado’’, diz o professor João Ivo Caleffi, diretor do colégio. Para criar a academia, a escola promoveu um concurso de redação, classificando as melhores. Os autores vão ocupar as 25 cadeiras existentes na academia.
Cada aluno ‘‘imortal’’ é responsável pela leitura de obras de um escritor brasileiro para futuros trabalhos de debate e apresentação da academia. ‘‘Criamos um logotipo e até registramos a academia em cartório’’, revela o professor Caleffi. Ele explica que os integrantes se reúnem uma vez por mês, fora do horário das aulas, para leituras e debates em torno do temas literários. ‘‘Será obrigatório o uso do traje acadêmico’’, alerta Caleffi.
O traje, uma capa azul, foi entregue na última terça-feira em solenidade de ‘‘posse’’ dos imortais, com a presença do escritor Galdino de Andrade, presidente da Academia Maringaense de Letras. ‘‘Me lembro da primeira academia de letras que ajudei criar no Colégio Paranaense, em 1947’’, contou emocionado. Andrade disse que muita coisa mudou na educação, mas sente orgulho de ver jovens dedicados à leitura. ‘‘Vocês serão os futuros escritores do país’’, incentivou os estudantes.
Vários pais de alunos participaram da solenidade de ‘‘posse’’. ‘‘Temos uma ligação muito estreita com a comunidade, graças ao trabalho que desenvolvemos de parceria para melhorar a qualidade do ensino e a formação do aluno’’, diz o professor Caleffi. Ele explica que, ao invés de convocar os pais para reformar o prédio da escola, convida para projetos pedagógicos. Além da academia, o colégio promoveu festival de talentos e de folclore, caminhada ecológica em defesa da reserva nativa do bairro (Conjunto Herman Moraes de Barros), entrevista com catadores de papel, programa de reciclagem de lixo e até um bolo de 100 quilos para comemorar os 18 anos da escola.
‘‘Sempre com a participação da comunidade’’, ressalta Caleffi. Ele diz que quando assumiu a direção da escola, há dois anos, adotou um trabalho baseado na formação da cidadania dos alunos. A primeira ação foi alfabetizar os funcionários do colégio, muitos que não tinham nem o primeiro grau completo. ‘‘Hoje, podem até fazer o vestibular e cursar uma faculdade’’. A abertura da escola para os moradores não ficou restrita às atividades em sala de aula. O colégio é aberto para reuniões, campanhas e até cerimônias religiosas.

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