FORMOSA, Argentina, 17 (AE-AP) - As autoridades do colégio católico Santa Isabel, desta capital provincial, ignoraram hoje (17) uma ordem judicial e da Secretaria da Educação e mantiveram o estabelecimento fechado a fim de impedir o ingresso de uma aluna solteira que está grávida.
Os pais da jovem Maria Fernanda aluna do último ano do curso secundário e que frequenta o colégio desde os cinco anos de idade apresentaram na semana passada um recurso perante a Justiça e uma queixa à Secretaria Estadual da Educação pelo fato de as freiras, ao saberem da gravidez da aluna, haviam impedido a entrada dela no estabelecimento.
Mesmo contando com subvenções do governo provincial (que deixarão de ser concedidas, de acordo com as advertência do secretário da Educação, se a escola se recusar a cumprir a determinação oficial), as religiosas não aceitaram as ordens. E hoje pela manhã, quando a aluna, acompanhada de seus pais e de uma advogada, tentou entrar no colégio, encontrou suas portas fechadas.
A decisão da irmandade do colégio não conta sequer com o apoio do bispo da cidade, monsenhor José Vicente Gallego, que, em carta pública, recomendou hoje que as freiras cumprissem a determinação do secretário da Justiça.
Já uma parte dos pais de alunas apóia a medida de exclusão, tendo apresentado à Justiça um pedido para que suas filhas não sejam obrigadas a assistir às aulas ao lado de Maria Fernanda. Como o próprio estabelecimento, eles alegam razões vinculadas à moral católica e aos bons constumes.
Hoje o colégio ficou sem aulas pelo quarto dia consecutivo, sob a alegação das freiras de estarem passando por uma "jornada de confissões".
"Viemos como cristãos e nos deparamos com isto", desabafou José Alloi, pai de Maria Fernanda, a uma rádio de Buenos Aires. "É doloroso que em plena Semana Santa estejamos enfrentando este problema de discriminação, em vez de estarmos falando do bebê, da misericórdia e do amor", acrescentou Alloi.
Os regulamentos do colégio não prevêem a proibição de frequência às aulas por parte de alunas grávidas o que a própria lei impede. Mas, na prática, no caso de uma cidade pequena como Formosa, muitos acham que é o caso de se pensar duas vezes se não é melhor que uma aluna grávida mude de escola. Maria Fernanda e seus pais, no entanto, estão dispostos a lutar pelo que consideram "seus direitos". E, apesar de seus problemas escolares, ela diz que se sente "feliz" e que nunca pensou em abortar, porque isto lhe parece "um horror".

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