Silvana Porto
De Paranavaí
Especial para a Folha
A extinção de cursos técnicos de 2º grau e a interrupção do convênio entre a Universidade Estadual de Maringá (UEM), Associação dos Municípios do Noroeste de Paraná (Amunpar) e Secretaria de Educação do Paraná transformou o Colégio Estadual Agrícola do Noroeste em uma área fantasma. A escola, que fica em Diamante do Norte (83 km a noroeste de Paranavaí), deveria atender 300 alunos. A última turma de técnicos em agropecuária se formou no final de 98. Depois ninguém mais foi matriculado.
O diretor do câmpus regional Noroeste da UEM, Luiz Alexandre Filho, explica que o processo de paralisação das atividades do colégio começaram em 1996, quando ainda existiam três turmas estudando. ‘‘A cada final de ano uma turma ia se formando e se extinguindo naturalmente, até chegar à última em 1998’’.
Ele rebate as críticas feitas à UEM pelo final do curso. ‘‘A universidade é parceira do projeto. Seu objetivo principal não é o ensino de 2º grau. Ela precisa de cooperação para continuar’’, argumenta. ‘‘O último recurso recebido do Estado veio em 1995’’, lembra.
De acordo com Luiz Alexandre, as verbas foram cortadas depois que o convênio com a Secretaria de Educação deixou de ser renovado. O dinheiro, que vinha do Programa de Expansão, Melhoria e Inovação do Ensino Médio (Proem), deveria ser destinado à reforma e adequações dos prédios e a investimentos em equipamentos para novos cursos. ‘‘A UEM continua interessada em manter a escola, mas precisa de parceria’’, diz. Existem dois projetos que podem resultar na reativação do colégio.
O colégio agrícola é formado por 10 blocos de madeira, que serviam de alojamento para operários durante a construção da Hidrelétrica de Rosana. O local foi cedido para a UEM pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) para abrigar o colégio. Nos 14 mil metros quadrados de área existem ainda viveiro de mudas e horta. Estudantes de toda a região procuravam o colégio, que funcionava em regime de semi-internato. Cada aluno pagava 40% do salário mínimo para a alimentação.
A menos de cinco quilômetros da escola fica a estrutura rural do colégio, composta por uma fazenda de 30 alqueires. A propriedade foi adquirida pelas prefeituras que fazem parte da Amunpar e cooperativas da região e doada à UEM para incentivo ao programa.
Na sede do colégio funciona ainda o Centro de Profissionalização Rural, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Agricultura do Estado para treinamento de agricultores. ‘‘O local tem sido usado também para cursos de extensão, pesquisa e estágios da UEM’’, revela Luiz Alexandre.

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