Colegas de estudante baleada protestam
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de maio de 2003
Agência Estado 
Rio - Assustados com a violência, os alunos da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, zona norte do Rio, onde a estudante de enfermagem Luciana Gonçalves de Novaes foi baleada na segunda-feira, estão evitando ir às aulas. Ontem, a frequência caiu 60%. Com tarjas pretas nos braços, cerca de 50 estudantes protestaram contra a insegurança e programaram para hoje uma assembléia, a fim de cobrar mais policiamento e o fechamento dos prédios que ficam próximos ao Morro do Turano, de onde teriam partido os tiros. Luciana está em coma induzido por medicamentos.
Estudantes de Enfermagem fizeram uma manifestação pela paz ontem de manhã. Os estudantes, que farão uma lista de reivindicações a serem entregues ao secretário de Segurança do RJ, Anthony Garotinho, pediram mais segurança no câmpus e a interdição dos blocos F, G, H e I, que ficam nos fundos da Estácio, próximos ao Turano.
Luciana lanchava com colegas no bloco F quando levou um tiro na mandíbula, que atingiu a medula, na manhã de segunda-feira. Ela continua internada em estado gravíssimo e pode ficar paralítica.
Garotinho se reuniu ontem com o chanceler da Estácio o ex-senador Artur da Távola, para traçar as medidas de segurança no câmpus. Ficou decidido que a ocupação no Turano continuará por tempo indeterminado. A PM vai manter 200 policiais nas entradas das favelas da região e no entorno da universidade. A Polícia Civil auxiliará com helicópteros equipados com câmeras para ''mapear'' as áreas de risco.
A polícia informou que identificou, por meio de denúncias anônimas, o nome de seis criminosos que estariam envolvidos na ação contra a universidade. Segundo o chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, os seis suspeitos seriam do Turano e fugiram ontem para o morro do Zinco, também no Rio Comprido. A Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) esteve no Zinco e travou tiroteio com traficantes. Dois deles morreram.
O delegado contou que ainda não havia sido informado pela polícia de São Paulo sobre as gravações feitas há oito meses entre um traficante conhecido como Barbosinha e outro não identificado, combinando ataques à Estácio. Em um dos trechos, Barbosinha dava ordens ao comparsa do Turano: ''Se eles (policiais) não pararem de zoar à noite, morre um monte de estudante.'' A ação seria uma retaliação às constantes operações policiais na favela.
O irmão mais velho de Luciana, Walmir Gonçalves de Novaes, pregou a paz ao comentar a tragédia que abalou sua família. ''Eu não tenho revolta, porque revolta traz ódio e ódio traz violência. Temos que pedir a Deus que coloque amor no coração das pessoas, para que elas se humanizem.''


