Arquivo FolhaInstávelA implosão do Palace II piorou um pouco mais a estrutura, já fragilizada, do bloco I (ao fundo)O laudo da vistoria divulgado ontem pela Secretaria Municipal de Urbanismo do Rio (SMU-RJ) aponta que a estrutura do Palace I (vizinho ao Palace II, implodido no sábado) está em ‘‘colapso’’, porque houve ruptura de toda a base do edifício. Também determina a execução de obras prioritárias, como reforço de sua estrutura, sem as quais as 150 famílias não poderão ocupar novamente os 176 apartamentos do bloco. O edifício está interditado.
O diretor do Departamento de Vistoria, engenheiro Marcel David Iglicky, um dos que assinou o laudo, destacou a gravidade da situação e não descarta o risco de desabamento do Palace I, como aconteceu com o Palace II. Ele salientou, no entanto, que o prédio é recuperável. ‘‘Se o imóvel não estivesse com sérios problemas nós não estaríamos pedindo a realização de obras’’, disse o engenheiro. ‘‘Nós não temos nenhuma bola de cristal para saber se vai acontecer alguma coisa mais grave.
Trincas nas ligações entre vigas e pilares, armações expostas em adiantado estado de corrosão, manchas generalizadas decorrentes de infiltrações, instalações do prédio precárias e deformações acentuadas nas lajes do piso do andar térreo são alguns dos problemas verificados pelos engenheiros da prefeitura. O prazo para a conclusão de todas as obras de reestruturação do edifício é de 60 dias.
O presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RJ), José Chacon, que participou de uma vistoria, atribui ao destino o fato de o Palace I não ter caído ainda, pois a implosão piorou um pouco mais a estrutura, já fragilizada.
Ontem a prefeitura intimou a construtora Sersan a apanhar o laudo na SMU-RJ em 24 horas. Se a empresa não cumprir a intimação, será multada conforme a lei que regula o Departamento Regional da Diretoria de Licenciamento e Fiscalização do município. A Sersan precisará contratar uma empresa que fará a reestruturação do imóvel e em 15 dias apresentar o projeto com a metodologia, para aprovação do Departamento de Vistoria da SMU-RJ. Se a determinação não for cumprida, a prefeitura compromete-se a fazer as reformas e o custo da obra será cobrado judicialmente da construtora. ‘‘A nossa função é tentar salvá-lo o mais rapidamente possível’’, declarou Iglicky.
O engenheiro não descartou a possibilidade de, durante o período de obras no imóvel, haver desabamento. Segundo ele, será feito um acompanhamento diário para avaliar as condições do Palace I. Mesmo ao final do reforço, o edifício terá de passar por constantes avaliações da prefeitura. O laudo determina que, em razão da gravidade da situação, será mantida a interdição até a conclusão das obras. O estudo diz que o prédio tem o mesmo projeto estrutural do bloco II, o que fica caracterizado que os riscos são semelhantes aos do Palace II, implodido.
O corpo do engenheiro Gerardo de Oliveira Queiroz, de 57 anos, foi encontrado às 3 horas de ontem nos escombros do bloco que desabou do edifício Palace II, dia 22. Foi a oitava e última vítima da tragédia no Rio de Janeiro. O enterro foi ontem à tarde no Cemitério São João Batista.

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