Colaboradores de Cubas e Oviedo são detidos
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE 
Assunção, 31 - O Paraguai está vivendo um clima de "caça às bruxas": enquanto o novo governo assume as funções, milhares de funcionários públicos e empresários estão sendo denunciados pelos seus vínculos com o governo do ex-presidente Raúl Cubas Grau, que renunciou no domingo à noite e que desde segunda-feira está asilado no Brasil. O principal foco da perseguição, no entanto, são os "oviedistas", como são denominados os militantes do ex-general golpista Lino César Oviedo, que fugiu para a Argentina horas antes da renúncia de Cubas Grau e que está instalado atualmente na Argentina, onde pediu asilo.
O ex-general Oviedo era o padrinho político de Cubas Grau.
Muitos funcionários públicos "oviedistas" estão sendo demitidos, por causa de seus vínculos com o ex-militar. Calcula-se que cinco mil postos com algum grau de comando no funcionalismo público serão preenchidos por integrantes dos dois partidos da oposição que agora fazem parte do governo de união nacional: o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) e o Partido do Encontro Nacional (PEN).
Os "oviedistas" não somente estão sendo demitidos: eles também estão sendo presos. O ex-vice-presidente Roberto Seifart está detido na prisão de Tacumbú, em Assunção, acusado de ter sido um dos instigadores da violência ocorrida na conturbada semana passada. Além dele, foram detidos dois jornalistas, também acusados de terem "conclamado à violência". Os detidos são o editor do jornal La Nación, Alberto Vargas Peña e Juan Carlos Barnabé, da radio Montecarlo.
A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) protestou contra a detenção, mas a avassaladora maioria da imprensa local apoiou a decisão do governo. A SIP solicitou ao novo presidente do país
Luis González Macchi, que a liberdade de expressão e de imprensa seja respeitada, e anunciou que enviará uma missão ao Paraguai nos próximos dias.
O ex-porta-voz de Oviedo, Alejandro Velázquez, também sofreu as consequências de seu passado "oviedista": foi impedido pelos senadores de assumir seu lugar no Senado, à qual teria direito pelas vagas deixadas por vários parlamentares que assumiram os ministérios. A discussão entre os senadores sobre se Velázquez teria direito de tomar posse ou não foi resolvida de uma forma que evidencia que a democracia no Paraguai ainda está engatinhando: um senador apontou um revólver para a cabeça do presidente do Senado, e a questão foi resolvida.
Ao sair do edifício, Velázquez foi espancado por uma multidão. Seu linchamento só foi impedido pessoalmente pelo ministro do Interior, Walter Bower, que disse que essa não era forma de reconstruir o país.
Paralelamente aos eventos do Senado, a agitação política paraguaia foi em torno da sucessão presidencial. Governo e oposição definiram que no dia 14 de maio será anunciada a data definitiva da eleição para presidente e vice-presidente do país: a data oscilaria entre o 14 e o 21 de novembro. O partido do governo, a Associação Nacional Republicana (mais conhecido como "Partido Colorado"), indicará Macchi como candidato a presidente e a oposição escolherá o vice.
Apesar da chapa fechada por consenso por todas as forças políticas com representação parlamentar, será realizada a formalidade de votar por eles nas convenções partidárias. Especula-se que o candidato a vice seria o recém-nomeado chanceler, Miguel Abdón Saguier, do PLRA.


