Rio- Vândalos, possivelmente vendedores ambulantes, espalharam cola e colocaram palitos de dentes nas fechaduras das portas de pelo menos 19 lojas de seis ruas do centro do Rio. A intenção era impedir a abertura dos estabelecimentos ontem. Os comerciantes tiveram de recorrer a chaveiros, que arrombaram as fechaduras.
A ação atingiu ruas de grande movimento, como Rio Branco, Sete de Setembro, Rodrigo Silva, Quitanda, Uruguaiana e Rua do Carmo (onde o alvo foi um cartório). A Caneta Continental, na Quitanda, que abre normalmente às 9 horas, continuava fechada duas horas depois. ''Chegamos para trabalhar e as fechaduras estavam cheias de cola'', contou um funcionário.''Estamos até agora esperando o chaveiro, mas a procura está grande e ele está demorando.''
A maioria dos lesados acredita que os camelôs, que vêm travando batalhas com guardas municipais no centro há anos, seriam os responsáveis pelo vandalismo. ''No início da semana também ficamos sem trabalhar por 40 minutos por causa de mais um confronto entre camelôs e guardas. Temos medo que quebrem nossa vidraça'', disse a gerente de uma loja de malas da Sete de Setembro.
Ela relatou que os confrontos se intensificam com a proximidade do Natal e que muitas vezes a rua fica deserta mesmo nos horários de pico. ''Quem é que vai querer andar numa rua que vive em guerra? As pessoas têm medo e nós é que saímos perdendo.''
Segundo a Guarda Municipal, os comerciantes foram orientados a procurar a polícia. Alguns tentaram abrir as fechaduras esquentando-as com fogo, na tentativa de fazer com que a cola derretesse. Mas a maioria teve que arrombar as portas.
A suspeita é que os responsáveis tenham sido camelôs insatisfeitos com a fiscalização mais rigorosa da guarda para evitar o comércio ilegal. Desde o início da semana, o efetivo cresceu de 90 para 140 homens, que ficam espalhados por todo centro, especialmente na Avenida Rio Branco e nas ruas transversais.
Os embates entre vendedores e guardas já deixaram feridos e provocaram depredações. Os camelôs costumam atacar com paus, pedras e morteiros. Sempre que há confusão, os lojistas preferem baixar as portas. Eles não vêem solução rápida para o problema.

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