Coincidências mostram que acusado não agia isolado
São Paulo, 27 (AE) - Vários vereadores que votam hoje pela cassação ou não de Vicente Viscome tiveram nos últimos anos um vínculo com o vereador ou pessoas de seu círculo que foi além da votação em comum dos projetos governistas. A comparação entre os funcionários de cada gabinete e a participação de acusados de corrupção na regional da Penha - controlada por Viscome - em regionais controladas por outros vereadores governistas mostra as coincidências.
Entre eles estão Maeli Vergniano (sem partido), Paulo Roberto Faria Lima (sem partido), Toninho Paiva (PFL), José Izar (PFL), Viviani Ferraz (PL), Maria Helena (PL) e o presidente da Câmara, Armando Mellão Neto (sem partido). Todos estão sendo investigados por supostas participações em irregularidades em regionais ou módulos do Plano de Atendimento à Saúde (PAS).
Um dos advogados de Viscome, Nadir Tarabori, foi nomeado no dia 2 no gabinete de Maria Helena, mas exonerado em seguida. Maeli, que está sendo investigada pela Câmara e pela Polícia por se beneficiar do poder na regional de Pirituba, importou do gabinete de Viscome a funcionária Noemi Antunes dos Santos Moura. Ela é mulher do pastor Rubens Moura, ex-funcionário de Maeli, um dos acusados de participar do esquema em Pirituba, onde trabalhava de fato.
Faria Lima contratou em janeiro como chefe de gabinete o funcionário Rivaldo Santanna, ex-braço direito e confidente de Viscome. Em 1997, ele atuou com Viscome e foi parar na polícia ao agredir um jornalista que acusava o vereador de andar armado. Antes de ser lotado informalmente no gabinete de Viscome, trabalhou na liderança do PPB na Câmara e no gabinete do vereador Salim Curiati (PPB).
Mellão - Acusado de corrupção na Penha, o funcionário José Godofredo Gaby respondeu a processo por irregularidades nos gastos com limpeza na regional de São Miguel, controlada por Mellão, quando era supervisor de Serviços. Gaby foi doador de campanha do padrinho político e filho do ex-patrão de Mellão, o deputado estadual Reynaldo de Barros Filho (PPB), para quem, segundo algumas acusações, funcionários da regional da Penha teriam feito campanha eleitoral.
O primeiro administrador regional a ser preso no exercício do cargo, José Augusto Fernandes Gomes, acusado de corrupção na Lapa (controlada por José Izar), trabalhou na regional da Penha por indicação de Toninho Paiva, de quem foi tesoureiro de campanha. Entre seus subordinados estavam vários acusados de participar do esquema de Viscome
Um ex-funcionário da regional da Freguesia do à, controlada na época por Viviani Ferraz, Maurício Ramos Cássia, foi indiciado por concussão e formação de quadrilha na Freguesia e na Penha. Está hoje na regional do Jaçanã-Tremembé, comandada por Cosme Lopes (PPB).
Wadih Mutran (PPB) aparece nessa rede de relações de outra forma: foi acusado por Viscome de organizar corrupção em cemitérios na Vila Maria, região que o ex-membro da CPI dos Fiscais controla. Apesar da acusação, Mutran foi o autor da seguinte frase sobre os vereadores investigados: "Aqui ninguém vai ser cassado."





