Lausanne, 14 (AE-REUTERS) - Amanhã começa uma semana decisiva na tentativa do Comitê Olímpico Internacional (COI) de recuperar sua imagem, afetada pelos escândalos de corrupção denunciados a partir do fim do ano passado. O Comitê Executivo, formado por 11 integrantes, reúne-se nesta segunda e terça, numa prévia da assembléia-geral extraordinária convocada para quarta e quinta-feira. O presidente da entidade, Juan Samaranch, pretende fazer o que chamou de "uma limpeza geral e uma reestruturação completa". Mas há quem duvide da profundidade das medidas que serão adotadas, como a mudança nos procedimentos de escolha das sedes de eventos olímpicos.
O australiano Kevan Gosper, integrante do Comitê Executivo rebateu, hoje, as denúncias de que o inquérito interno sobre o escândalo de corrupção de Salt Lake City esteja punindo apenas executivos de menor importância no caso. Segundo ele, a recente expulsão recomendada de um delegado do COI de Samoa e a advertência feita a integrantes em níveis mais altos na hierarquia da entidade são baseadas em fatos, não em favorecimento.
"Essa é uma acusação que questiona a integridade das pessoas que formam a comissão de investigação", afirmou Gosper. Na sexta-feira, Paul Wallwork teve sua expulsão recomendada pela comissão liderada pelo canadense Dick Pound, vice-presidente do COI. Motivo: sua mulher recebeu um empréstimo de Tom Welch (o ex-chefe da campanha de Salt Lake-2002), no valor de US$ 30 mil, que foi pago. Wallwork nunca havia exercido um cargo de liderança nos 12 anos em que esteve na entidade.
O mais graduado membro do COI envolvido no escândalo, o sul-coreano Kim Un-yong, foi apenas advertido por violações sérias de regras e julgamentos questionáveis, contra os interesses da entidade. O também graduado Phil Coles, um dos líderes da campanha de Sydney- 2000, foi advertido por ter recebido US$ 60 mil em passagens e hospedagens de férias, mas resolveu renunciar ao cargo.
Wallwork acredita que sua expulsão foi decretada porque ele é de um país com pouca expressão no cenário internacional. "Coles é de um país grande, que está organizando a próxima Olimpíada; como podemos esperar que ele seja expulso?", perguntou. O coreano alardeia que só não foi expulso para preservar o presidente do COI. "Samaranch e eu estamos no mesmo barco; se eu cair, ele cai junto", afirmou.

mockup