Lausanne, 03 (AE-Reuters) - O encontro mundial de combate ao doping, que se realiza em Lausanne, na Suíça, não conseguiu sucesso nos dois objetivos programados para a jornada de hoje: finalizar a criação de uma agência internacional antidoping e unificar as punições para o uso de substâncias proibidas. Representantes de diversos governos incluindo os Estados Unidos e a União Européia insistem que o Comitê Olímpico Internacional (COI) fique fora da liderança da agência antidoping.
A inabilidade do COI para resolver estas duas questões pôs em perigo o resultado final do encontro, que termina amanhã. A entidade está vivendo a pior crise de sua história, após as denúncias de corrupção na escolha de cidades para organizar eventos olímpicos. "Qualquer controle do COI tira a independência e acaba com a credibilidade da agência", afirmou Donald Vereen, diretor- adjunto da Política de Controle de Drogas dos Estados Unidos.
O ministro britânico dos Esportes, Tony Banks, disse que a União Européia rejeitou "por unanimidade" a proposta do COI para liderar a agência. "Precisamos definir com urgência a composição da agência e as funções de cada um", declarou o ministro. Segundo um representante da União Européia, as discussões sobre a composição da agência podem retardar sua criação. "Apesar de todos concordarmos com a necessidade da criação da agência, é improvável que ao fim do encontro saibamos como ela irá funcionar", admitiu o chefe do Departamento de Drogas do COI, Príncipe Alexandre de Merode.
Proposta derrubada O objetivo de estabelecer uma punição mínima de dois anos para atletas que utilizem substâncias dopantes foi derrubado por federações esportivas. Elas alegaram que punições desse tipo seriam facilmente impugnadas nos tribunais. Isso também mostrou que as diferentes federações de esportes não têm uma visão comum sobre as punições.
Os atletas, porém, afirmaram seu apoio à punição proposta. "Os atletas são modelos para as crianças de todo o mundo", justificou o patinador norueguês Olav Koss. "Se alguns esportes, como futebol e ciclismo, tornaram-se tão profissionais que não podem aceitar as sanções, eles não deveriam fazer parte dos jogos olímpicos", afirmou o alemão Roland Baar. "Quem não quiser aceitar as regras do COI não deve fazer parte da entidade", disse.
A comissão de atletas do COI aproveitou a reunião para manifestar seu apoio ao presidente da entidade, o espanhol Juan Antonio Samaranch, e ao trabalho que o dirigente tem feito contra a corrupção na entidade. "Apoiamos seu trabalho e acreditamos que ele conseguirá restabelecer a credibilidade do COI e do movimento olímpico", disseram os atletas, em comunicado oficial.

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