Coelce quer implantar usina eólica de US$ 60 milhões
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sexta-feira, 31 de março de 2000
Por Viviane Mottin 
São Roque, 1 (AE)- Nas próximas semanas a Companhia de Energia Elétrica do Ceará (Coelce) vai publicar edital de pré-qualificação para empresas interessadas em instalar uma usina de energia eólica no litoral do Estado com capacidade para geração de 60 megawatts (MW). O investimento será de US$ 60 milhões para atender a demanda de 600 mil pessoas na região. Uma das empresas interessadas no negócio é a Wobben Windpower, subsidiária integral da alemã Enercon, com sede em Sorocaba (SP).
"Já temos um fundo de bancos japoneses interessados e financiar o empreendimento", adiantou, hoje o gerente de marketing da Wobben Windpower, Telmo Pereira Cardoso, durante seminário da Câmara de Comércio e Industria Brasil-Alemanha, em São Roque (SP). A amortização do investimento se dá em um prazo de até 20 anos, com o MW/h ao preço de US$ 60, enquanto a tarifa da energia produzida por hidrelétrica, no Brasil, custa de R$ 40 a R$ 50. De acordo com a norma da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o preço máximo que o produtor pode repassar ao consumidor é de R$ 100,9.
Nesse caso, afirma Telmo Cardoso, a aposta da Wobben Windpower é na produção em grande escala, e um dos primeiros passos no Brasil para alcançar esse objetivo é a qualificação para implantar a usina da Coelce.
Ele afirma que o custo do kilowatt/hora (kW/h) da energia eólica no Brasil, hoje em R$ 0,12, tende a se equiparar com o proveniente das térmicas a gás, de R$ 0,10, e a carvão, R$ 0,07. Em 2008, disse ele, o kW/h da eólica custará o mesmo que a produzida a gás, e em 2020 vai alcançar o custo da energia gerada pela termelétrica a carvão. Já a comparação com o preço da energia gerada pelas hidrelétricas, segundo ele, não é possível porque o custo da implantação, no Brasil, já foi amortizado.
O interesse da industria alemã pelo Brasil deve-se ao potencial de geração de energia eólica de 12.500 MW. Atualmente, o País conta com três usinas comerciais que somam capacidade instalada para geração de 17MH, potência suficiente para atender a demanda de 170 mil pessoas.
Mas essa energia, explica o engenheiro, não pode ser utilizada separadamente de outras (termelétricas, hidrelétricas). Devido a variação da velocidade do vento (a mínima no Brasil é de seis metros por segundo) que move as pás (como em um moinho), um gerador é alimentado e inverte a energia irregular em frequência de 60 hertz e tensão de 400 wolts. Até na região Nordeste, onde há a melhor incidência de ventos no Brasil, mas eles não são uniformes, não é possível manter a demanda apenas com usinas eólicas. É necessária a conexão desse sistema com um dos convencionais.
A soma da capacidade instalada das usinas eólicas em todo o mundo é de 12.500 MW, potência igual a de uma hidrelétrica como Itaipu. No Brasil, 93% da energia consumida é gerada por hidrelétricas. Para montar a nova usina eólica no Nordeste, a empresa alemã conta com a produção de 600 pás e 40 geradores em sua unidade de Sorocaba (SP).
Segundo o presidente da Câmara de Comércio e Industria Brasil-Alemanha, Ingo Plger, a importância das usinas eólicas é que elas funcionam com tecnologia ímpar. "Cada megawatts instalado de energia eólica reduz em 600 t/ano a emissão de gás carbônico na atmosfera. O Banco Mundial ofereceu US% 50 milhões ao Brasil para que o País seja um receptor de gás carbônico, o que significa que o País pode receber de US$ 30 a US$ 40, por tonelada de gás resgatada da atmosfera", informou.


