Londrina - Em vigor há nove meses, o novo Código de Prevenção contra Incêndio e Pânico (CPIP) do Paraná se tornou o instrumento mais eficiente para evitar a ocorrência de incêndios em edifícios comerciais e residenciais. Somente no primeiro semestre, os bombeiros vistoriaram 10.655 edificações só em Londrina.
  O tenente Rodrigo Manoel, do setor de Vistorias do 3º Grupamento, afirma que o rigor do novo código deve reduzir ainda mais o número de ocorrências graves em edifícios. ‘‘As medidas de prevenção evoluíram muito e a chance de um incêndio é muito menor que no passado’’, afirma.
  A nova versão do CPIP é uma atualização mais detalhada do código anterior, que começou a vigorar em 2001 e que é considerado um marco para a segurança de quem vive ou trabalha em edíficios.
  Entre as novidades, estão a obrigatoriedade dos edifícios contarem com um sistema de mangueiras de borracha de manuseio mais fácil, entradas de ar para extração de fumaça em caso de incêndio, além da compartimentação horizontal e vertical das construções, com a instalação obrigatória de paredes, portas, vedadores ou selos corta-fogo na divisão de ambientes. Nos edifícios com altura superior a 80 metros, é obrigatória também a instalação de um elevador de emergência.
  O setor de vistorias analisa atualmente 160 projetos de adaptação de prédios que foram construídos sob as normas antigas (o novo CPIP é obrigatório somente para edifícios novos ocupados a partir de janeiro) cujos responsáveis procuraram os bombeiros para a regularização. A análise do projeto fica pronta em cerca de 20 dias e, se aprovado, torna-se um documento definitivo.
  O tenente Manoel explica que se a vistoria apontar que o edifício não obedece às normas do código é feita uma notificação aos responsáveis - no caso dos condomínios verticais residenciais, os síndicos.
  Para obter o certificado de vistoria, exigido para o Habite-se e para alvarás comerciais, o prédio tem que corrigir as falhas e pedir uma nova vistoria. Se isso não for feito, os bombeiros emitem um certificado de reprovação e comunica o fato ao Ministério Público, que pode impetrar uma ação civil contra o condomínio ou a empresa.
  Os problemas mais observados nas vistorias, segundo os bombeiros, são pequenas falhas na configuração da central de gás encanado, na pressão nas mangueiras, extintores inadequados e defeitos nas portas que isolam a escada de emergência.
  O rigor do código se tornou uma preocupação dos síndicos, que desafiam uma suposta indiferença dos condôminos pelo tema. Nesta semana, a Plaenge convidou 48 deles (todos de edifícios da construtora) para uma palestra com o cabo Leandro Rodrigues, do Corpo dos Bombeiros.
  A gerente de atendimento ao cliente, Adriana Peraro, disse que a ideia surgiu após a construtora constatar que os clientes pareciam desinteressados pelo tema segurança nos edifícios. A empresa decidiu fazer ações de conscientização. ‘‘Constatamos, por exemplo, que as pessoas tinham o hábito de calçar as portas corta-fogo com lixo reciclável. Então decidimos confeccionar adesivos com avisos de que as portas devem permanecer sempre fechadas. A palestra é um segundo passo’’, explicou.
  Na palestra, o cabo Rodrigues ressaltou a importância de rotas de fuga claras para os moradores, com sinalização correta até a escada de emergência e a implementação de planos de evacuação do prédio, de preferência com simulações.
  A síndica do Solar Rivera, Alesandra Resquetti, que foi à palestra, disse que dificilmente os responsáveis pelos condomínios têm uma visão global sobre segurança. ‘‘O síndico tem o papel de mostrar aos condôminos que a prevenção é importante quando um depende do outro, como é o caso de quem vive em um edifício. Um esclarecimento como a gente teve aqui nesta tarde é muito importante.’’
  Alessandra, que também é do Conselho de Síndicos da Gleba Palhano, disse que quer novas palestras sobre o Código de Prevenção com síndicos do bairro mais vertical da cidade.
  Suely Ferreira Caetano, vice-síndica do Condomínio San German, lembrou que em alguns prédios de Londrina há uma dificuldade de envolver os moradores em iniciativas comuns, como a de agir preventivamente para evitar incêndios ou de escapar com vida no caso do incidente acontecer. ‘‘Temos muita rotatividade de moradores nos prédios e fica mais difícil arregimentá-los, provocar interesse neles. Mas ainda assim saio daqui com uma vontade de montar um plano de evacuação para o prédio e se possível treinarmos periodicamente com simulações’’, disse.

Imagem ilustrativa da imagem Código mais rígido é arma contra incêndios
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