Código de Trânsito reduz mortes em sete anos
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O balanço dos sete anos de vigência do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é positivo: houve uma redução de 32% no número de vítimas fatais nos acidentes em todo o Estado. Segundo dados do Departamento de Trânsito (Detran-PR), o índice de mortos por 10 mil veículos baixou de 8,42, em 1997 (ano anterior ao da implantação), para 5,69, em 2003. Em Curitiba, a redução do índice foi de 39%, caindo de 1,65, em 1997, para 1,00, em 2004.
Os resultados em Londrina, a partir da implantação do CTB foram ainda melhores. Em 1998, houve o registro de 96 mortes no trânsito, número que caiu para 16, em 2003. Considerando o crescimento da frota de veículos de 154.556 para 183.952, no mesmo período, a taxa de vítimas fatais caiu de 6,21 para 0,86 ou o equivalente a uma redução de 86%.
O diretor do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), Marcelo Almeida, não tem dúvida de que a legislação, implantada em janeiro de 1998, contribuiu para diminuir a violência no trânsito. No entanto, ele questiona as estatísticas do próprio órgão que administra, defendendo a implantação de um instituto de pesquisa que se dedique, exclusivamente, a apurar não só os números de acidentes e de vítimas, como também as causas e fatores de risco. ''A deficiência é uma só. Não existe estatística. Hoje, não se sabe como investir o dinheiro no País, pois não há como saber porque se morre e porque se mata'', avaliou.
Almeida tem entre seus planos criar um instituto paranaense, mas reconhece que se deixar o cargo até o final do atual governo não verá o resultado desse trabalho. ''Vou, pelo menos, deixar essa semente plantada'', acrescentou.
Para Almeida, o Código impôs e conseguiu mudar a conduta dos motoristas em muitas situações. Isso se percebe com o uso do cinto de segurança, crianças no banco de trás do veículo e uso do capacete por motociclistas, exemplificou.
A perda de pontos e suspensão da carteira de habilitação também trouxe resultado que, apesar de pequeno, foi positivo, apontou o diretor do Detran-PR. ''Mais de 50 mil motoristas fizeram o curso de reciclagem e a reincidência (dos infratores) foi de 3%'', afirmou Almeida.
No Paraná, desde janeiro de 1999, quando começaram a ser suspensas as primeiras carteiras, 108.748 motoristas ficaram sem suas habilitações. Destes, 52.655 entregaram a carteira ao Detran e 56.093 estão dirigindo com a carteira suspensa.
Para o diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), Victor Barnech Campani, que estudou e acompanha a implementação do Código de Trânsito, falta investimento em educação. ''É preciso um maior entendimento por parte da população do que é o código e dos reflexos que ele traz no cotidiano das pessoas'', destacou. Ele acredita que a legislação, apesar de não ter todos os dispositivos regulamentados e em prática, foi um importante avanço, mas os órgãos públicos precisam se aparelhar melhor para fazer cumprir a lei.


