FLORIANÓPOLIS - Representantes da área de segurança de todas as regiões do País vão analisar a necessidade de uma posição clara do governo federal sobre cumprimento de ordens judiciais na questão fundiária. ‘‘É preciso que o presidente da República diga de que lado o governo está quando ocorrem conflitos’’, afirma o secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, que é o presidente do Conselho de Segurança Pública do Conselho de Desenvolvimento da Região Sul (Codesul), que reúne os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. O Conselho de Segurança reúne as forças policiais desses estados para uma atuação conjunta.
A proposta de Oliveira foi discutida com os presidentes dos conselhos de segurança das outras regiões do País, que se reuniram ontem em Florianópolis para trocar experiências. Segundo Oliveira, a força policial é chamada a intervir nas questões fundiárias depois do conflito já instalado e para cumprir uma ordem judicial. ‘‘Não provocamos o conflito, vamos cumprir uma ordem e depois a opinião pública, a imprensa e as autoridades crucificam a polícia’’, diz o secretário, justificando a necessidade do posicionamento do governo federal como uma forma de resolver esse conflito que se cria na atuação policial.
A questão fundiária também foi tema da reunião do Conselho de Segurança Pública do Codesul que terminou ontem, em Florianópolis. Uma das propostas discutidas foi a criação de uma comissão integrada por representantes da área de segurança da OAB e do Incra para atuar nos conflitos como uma comissão de negociação entre as partes.
O presidente da União Democrática Ruralista, Roosevelt Roque dos Santos, disse ontem que a violência no campo, inclusive com mais mortes, tende a crescer. ‘‘Isso vai ocorrer caso as invasões criminosas dos sem-terra não forem coibidas’’. Ele chamou o MST de ‘‘movimento de guerrilha, que age em bando’’ para evitar identificação de responsáveis em ações violentas, como a que matou o segurança de uma fazenda no norte do Paraná na semana passada. As afirmações são uma resposta à declaração do dirigente do MST Gilmar Mauro de que a morte do segurança foi um recado para fazendeiros do País todo.

mockup