Santos, SP, 08 (AE) - A informação de que a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) planeja a demissão de 1.100 funcionários ainda este ano preocupou as lideranças sindicais da Baixada Santista. A empresa negou esses números, informando que até o final do ano 2000, 870 trabalhadores deixarão seus quadros. "Haverá um programa de demissão voluntária, um trabalho para a absorção de profissionais pela iniciativa privada e um esforço de relocação do pessoal", esclareceu o presidente da Codesp, Wagner Rossi.
Segundo os cálculos da empresa, o PDV pode alcançar 400 funcionários e os 470 restantes deverão ser absorvidos pela iniciativa privada, em processos de tercerização de setores como de geração de energia, pesagem e ferroviário, e de cessão de 27 novas áreas à iniciativa privada. "Até o final do ano 2000 a empresa estará com 1.100 funcionários", revelou Rossi. O presidente do Sindicato dos Empregados na Administração (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, esteve reunido pela manhã com o presidente da Codesp, recebendo a garantia de que só serão atingidos os trabalhadores que se inscreverem no plano de demissão voluntária, cujas inscrições terminam dia 27. "Isso não é novidade, pois assessores do ministério passam essas informações à imprensa, mas o que os trabalhadores sabem é que só haverá demissão voluntária", disse Cirino.
Mesmo assim, o Sindicato está de sobreaviso. "Se o assessor do ministério disse que foi um mal-entendido, melhor para os trabalhadores, mas estamos em alerta", informou o sindicalista. Segundo Everandy Cirino, no início da tarde o assessor especial do Ministério dos Transportes e presidente do Conselho de Administração da Codesp, Luiz Henrique Baldez, que teria dado a informação, telefonou para ele, negando o processo de demissão e pedindo desculpas "pelos efeitos da notícia entre os trabalhadores".
"O Porto de Santos precisa ser modernizado, mas sem o caos social", afirmou a deputada estadual Maria Lúcia Prandi (PT), que está pedindo, junto com Telma de Souza, deputada federal também pelo PT, a realização de uma audiência pública em caráter de urgência para discutir alternativas que evitem o processo de demissão em massa no porto.

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