Codesp cancela contratos suspeitos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, 29 (AE) - A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) começou hoje a cancelar contratos com suspeição de conter irregularidades. Assim, a contratação da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), por R$ 3,1 milhões, para ministrar cursos de reciclagem para o pessoal, foi cancelada.
A estatal abriu uma sindicância para apurar responsabilidades, informou o presidente da empresa, Wagner Rossi, já que pagamentos foram feitos e não houve comprovação da prestação dos serviços que deveriam ser realizados no período de um ano, vencido em fevereiro. "Essas decisões foram tomadas, mas houve o cuidado de nossa parte em encaminhar os assuntos para o departamento jurídico, para que tudo seja feito dentro da lei e evite problemas futuros", disse.
Duas licitações feitas anteriormente para o aluguel de veículos aguardavam homologação e foram também canceladas. "Os preceitos legais foram obedecidos, mas entendemos que os preços cobrados eram muito altos, razão que nos levou a fazer o cancelamento", explicou Rossi.
A empresa Califórnia havia vencido a concorrência para a locação de 20 automóveis Gol por seis meses, cobrando para isso o valor de R$ 238 mil. Com esse dinheiro, daria para comprar 18 Gol Especial 1.0 pelo preço de tabela.
A Júlio Simões cobrou R$ 267 mil pela locação de seis caminhões basculantes e duas peruas Kombi durante seis meses, e essa licitação também foi cancelada. A Codesp decidiu também reduzir pela metade a frota contratada. "Chegamos à conclusão de que dá para operar com metade dos veículos", disse Rossi.
Ele informou que as negociações para a revisão do contrato do Corredor de Exportação evoluem e estão próximas de acordo com as empresas Coimbra, Citrosuco e Toffer-Quintela, que exploram a área. "Esse contrato é muito antigo, do início da década de 60, e estava completamente defasado, provocando prejuízo de R$ 8 milhões anuais à Codesp", comentou o presidente da estatal.
Outra decisão foi no sentido de reduzir em 25% os valores dos contratos de manutenção e serão estabelecidos limites de acordo com a receita da empresa. "Não adianta termos a melhor manutenção do mundo e não haver dinheiro para pagar os serviços", comentou Rossi.


