''Cocaleiros'' e policiais se enfrentam na Bolívia
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sábado, 19 de janeiro de 2002
Coco Cuba France Presse 
La Paz - Violentos confrontos entre cocaleros (plantadores de coca) e as forças de segurança da Bolívia deixaram pelo menos sete mortos dos dois lados e centenas de feridos e detidos na cidade de Sacaba, transformada em zona de guerra desde terça-feira por causa de um decreto que proíbe a venda de coca em centros de produção da erva.
A violência nessa cidade, situada a 400 km a leste de La Paz, voltou a se desencadear quinta-feira, quando supostos franco-atiradores abateram dois membros do exército, um dia depois que dois plantadores de coca morreram em enfrentamentos com as forças combinadas do exército e da polícia.
A situação piorou quando no início da manhã de ontem o corpo de outro lavrador foi encontrado nos arredores de Sacaba e, horas depois, encontrados os corpos de dois oficiais do exército, com sinais de tortura num lugar conhecido como El Matadero.
O conflito explodiu na terça-feira desta semana, depois de um protesto de milhares de cocaleros contra o decreto que proíbe a venda de coca nos mercados rurais do Chapare, onde o governo erradicou 47.000 hectáres de plantações ilegais entre 1998 e 2001.
Enquanto a administração do presidente Jorge Quiroga defendia com unhas e dentes a legalidade do questionado decreto, com o argumento de que se enquadra numa rigorosa lei antinarcóticos de 1988, a Defensoria do Povo denunciou como anticonstitucional a medida que gerou esta escalada da violência.
Transformada numa zona de guerra, Sacaba vivia horas de enorme tensão. Tropas e cocaleros estão à beira de um choque enquanto as autoridades e líderes cocaleros liderados pelo deputado socialista Evo Morales, tentavam uma negociação.
As hostilidades acontecem pelo controle de um centro de estoque de folhas de coca que foi fechado pelo governo depois que este proibiu, por meio de um decreto, a comercialização da folha no Chapare, onde ainda existem 2.000 hectares de plantações ilegais.
Enquanto isso, o governo, que enviou à área uma missão de alto nível para negociar, exigiu a retirada imediata dos milhares de camponeses reunidos em Sacaba.
Pedimos aos mediadores (igreja católica e organismos dos direitos humanos) que convidem cordialmente esses vândalos (camponeses) a saírem imediatamente de Sacaba, caso contrário vamos tirá-los à força, advertiu o vice-ministro da Defesa Social, Osvaldo Antezana.
Toda discussão está paralisada desde o momento em que confirmamos que os dois efetivos desaparecidos anteontem foram torturados e executados, agregou.
Por sua vez, o ministro da Informação, Mauro Bertero, acusou uma suposta narcoguerrilha pela violência que sacode Sacaba. Essa narcoguerrilha pretende se instalar no país para defenser o indefensável, frisou, exigindo que o líder cocalero entregue os franco-atiradores que assassinaram os dois soldados, e também os responsáveis dos efetivos assassinados nas últimas horas. Por sua vez, Morales exigiu provas das acusações e, depois de acusar o governo dos acontecimentos em Sacaba, disse que não retirará seus homens da cidade. Uma legislação antinarcóticos que proíbe o cultivo de coca no Chapare, permite no entanto 12.000 hectares de plantação nos Yungas, encostas dos Andes perto de La Paz, para fins tradicionais.


