Cocaína é nova droga dos caminhoneiros
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Agência Estado 
São Paulo - A cocaína é o novo rebite dos caminhoneiros. Pesquisa divulgada ontem pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo aponta que a droga vem sendo usada no lugar das anfetaminas para manter os motoristas acordados por mais tempo. Entre os entrevistados, o consumo foi até quatro vezes maior do que o identificado na população brasileira.
O levantamento ouviu aleatoriamente 308 motoristas que circulavam por quatro rodovias federais no Rio e São Paulo e constatou que 3,5% deles haviam usado cocaína. A urina foi analisada e os dados mais alarmantes foram encontrados na Fernão Dias, região de Atibaia, interior de São Paulo: 4,5% dos caminhoneiros abordados haviam consumido a droga.
Entre os brasileiros em geral, 0,3% admitiu ter usado a droga no último mês, consumo mapeado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em entrevista com 7 mil pessoas. É evidente que esse motorista vai colocar em risco a vida de outras pessoas, afirma a médica Vilma Leyton, coordenadora da pesquisa da USP. A cocaína e a anfetamina atuam no sistema nervoso central, alterando a percepção do motorista, reduzindo a atenção e os reflexos.
Para Flávio Pechansky, pesquisador do Núcleo de Estudo e Pesquisa em Trânsito e Álcool da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o consumo de cocaína entre caminhoneiros é ainda mais grave porque esses condutores passam 70% do tempo nas estradas. Ele faz coisas que não faria se estivesse sóbrio, age impulsivamente.
A substituição da anfetamina pela cocaína tem explicações na estratégia usada pelo tráfico. Os caminhoneiros são presas fáceis. São iludidos pelas promessas dos efeitos mais fortes da cocaína do que do rebite, que dizem deixar a pessoa acordada por mais tempo, afirma o presidente da Associação Brasileira de Logística e Transporte de Carga, Newton Gibson. A droga é apresentada como fórmula para fazer com que 90 horas dirigindo pareçam mais curtas.
Não é um uso generalizado, mas está ligado às condições de trabalho, principalmente entre os que não têm vínculos com a empresa, afirma José da Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros. Tanto é que as drogas são mais presentes no setor de transporte de carga de eletroeletrônicos, formado por motoristas com menos de 30 anos, que fazem do caminhão uma espécie de bico, diz.


