Coca-Cola e AmBev suspendem propagandas
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sexta-feira, 14 de junho de 2002
Carlos Franco<br>Agência Estado 
São Paulo - Fim do primeiro round da guerra dos guaranás. Deu empate. A Coca-Cola e a AmBev fecharam acordo, na noite de anteontem, intermediado pelo Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), em que param de veicular campanhas publicitárias em que trocam farpas. A da Coca-Cola tem como garoto-propaganda o tenista Gustavo Kuerten, o Guga, jogando uma latinha do guaraná Antarctica de um lado para o outro, até que pede ao vendedor que jogue direito e este lhe manda um Kuat. A da AmBev mostra que os gringos da Coca-Cola patrocinam várias seleções de futebol e, por isso, não podem dizer que está torcendo pela nossa. Também informa que eles fizeram isso, que chamaram de guaraná, e apresenta a latinha de Kuat.
A campanha do Kuat foi criada pela DPZ e a do guaraná Antarctica pela Carillo, Pastore Euro RSCG. Na nota oficial, o Conar esclarece que ambos os anunciantes, membros do quadro associativo do Conar, reafirmaram o cumprimento dos objetivos da auto-regulamentação publicitária, entre os quais buscar a harmonização do mercado e evitar apelos ao Poder Judiciário, em assuntos que possam ser solucionados no âmbito do próprio Conar. Apesar da nota, há informações de que a Coca-Cola, antes de recorrer ao Conar, na terça-feira, teria tentado liminares na Justiça na segunda-feira, devido ao caráter xenófobo, por causa da expressão gringos, da campanha do concorrente.
Assunto encerrado, pelo menos por enquanto. Mas as duas empresas seguem na disputa pelo mercado de refrigerantes, onde cada ponto porcentual equivale a R$ 120 milhões. Hoje, de acordo com dados de abril do Instituto AC.Nielsen, a Coca-Cola detém uma fatia de 51,6% do mercado brasileiro de refrigerantes, que gira em torno de R$ 12 bilhões anuais, enquanto a AmBev tem uma fatia de 16,2%, em que a liderança é do guaraná Antarctica. São esses números e o valor do mercado que estimulam as disputas.


