Coca-Cola anuncia reestruturação com corte de 6 mil empregos
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 26 (AE) - A Coca-Cola anunciou hoje em sua sede, em Atlanta (EUA), que irá demitir 6 mil pessoas em todo o mundo para economizar US$ 300 milhões por ano e liberar mais recursos para as operações de cada um dos 200 países onde a empresa atua. A empresa e suas subsidiárias empregam cerca de 29 mil pessoas. "No caso de um mercado com as dimensões do Brasil, isto significa que nós teremos ainda mais recursos direcionados para o nosso mercado local", afirmou o presidente da Coca-Cola no Brasil, Stuart Cross, por meio de comunicado oficial.
Chamada de "realinhamento organizacional", a medida transfere responsabilidades da matriz para as unidades de negócios. A matriz continuará responsável pela política e a estratégia da empresa, e as demais responsabilidades ficarão com as unidades da Coca-Cola em cada país, que terão inclusive mais autonomia na comunicação.
Segundo o diretor de comunicação da Coca-Cola no País, Marco Simões, a reorganização começou a ser discutida há seis meses e as demissões serão efetuadas ao longo deste ano. O presidente mundial da empresa, Doug Daft, comentou, segundo o comunicado, a "difícil decisão" de reduzir o número de empregos, e declarou que os funcionários dispensados terão todo o apoio da Coca-Cola. Das demissões mundiais, 3.300 serão feitas nos Estados Unidos.
No Brasil, foi anunciada uma reestruturação em outubro. A Coca-Cola demitiu 73 pessoas e informou que contrataria 60, mas a empresa não divulgou o andamento do processo. "Naquele momento, não podíamos prever todas as mudanças anunciadas hoje"
completou Cross. "Vamos analisar nossa organização no Brasil em face do novo direcionamento e da estratégia mundial e promover novas mudanças, se for necessário".
A Coca-Cola divulgou hoje as vendas do ano passado e afirmou que os ganhos de 2000 serão impactados pelo realinhamento. A empresa informou que o volume de vendas excedeu 90 bilhões de litros pela primeira vez. Na América Latina, a Coca-Cola vendeu 3% a mais em litros. Os ganhos por ação da empresa em 1999 foram de US$ 0,98. No ano anterior, os ganhos haviam sido de US$ 1,42. As receitas operacionais líquidas foram de US$ 19,8 bilhões no ano passado, ante US$ 18,8 bilhões em 1998.


