Santos - A cobrança do pedágio por trecho percorrido pode reduzir significativamente o preço das atuais tarifas praticadas nas rodovias brasileiras. É o que aconteceu em estradas de São Paulo que fazem parte do projeto Ponto a Ponto, iniciado em 2011, pela Agência Reguladora de Serviços Públicos de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Na SP-75, a nova modalidade permitiu a redução de 60% na tarifa de quem faz a viagem de Indaiatuba a Campinas. Não há milagre e o raciocínio é simples: a cobrança por trecho inclui um número maior de pagantes, aqueles usuários que usavam gratuitamente os trechos curtos das estradas pedagiadas. A cobrança diferenciada foi possível devido à instalação, ao longo de toda a rodovia, de nove conjuntos de pórticos com antenas que fazem a leitura automática de tags colocados nos veículos, identificando-os e registrando a cobrança. Na praça de pedágio localizada no km 60,8 da SP-75, em Indaiatuba, o usuário pagava R$ 10,10 pelos 70,5 quilômetros de via colocados a sua disposição. Mas com o sistema de cobrança por trecho percorrido, o motorista que sair de Indaiatuba com destino a Campinas pagará R$ 4 e não mais o preço cheio da tarifa porque a cada pórtico ultrapassado será acrescentado o valor correspondente ao trecho percorrido. Na SP-360, região de Itatiba, a redução foi ainda maior e a viagem dos usuários que usam a rodovia para deslocamento residência/trabalho barateou 70%. O exemplo paulista foi apresentado ontem pelo diretor de operações da Artesp, Giovanni Pengue Filho, aos participantes do 8º Congresso Brasileiro de Rodovias e Concessões, promovido pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), em Santos (SP).
O diretor explicou que somente moradores de alguns municípios das duas rodovias puderam aderir nessa primeira fase do projeto Ponto a Ponto. Porém, na terceira experiência que o governo de São Paulo implanta, em Jaguariúna (SP-340), a adesão está disponível para qualquer usuário, mesmo aqueles de outros Estados. O Ponto a Ponto é a primeira experiência brasileira de cobrança de pedágio por trecho percorrido e pode ser considerado um "aperitivo" para o Free Flow, sistema de passagem livre em que os pórticos funcionam como uma praça de pedágio virtual, sem barreiras e cabines de cobrança. O pagamento é feito de forma eletrônica, como é o caso do Sem Parar, pois os pórticos registram a passagem dos veículos por meio de antenas e câmeras. Especialistas acreditam que o Free Flow deve ser implantado de forma generalizada nas estradas brasileiras em um prazo de cinco a dez anos, dependendo principalmente da conclusão, pelos Detrans, do processo de implantação do Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos (Siniav). O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) prorrogou o prazo final de 30 de junho de 2014 para 30 de junho de 2015. O sistema prevê a instalação, em toda a frota rodoviária do País, de dispositivo eletrônico (chip) que armazenará e transmitirá os dados do veículo.

A jornalista viajou a convite da ABCR

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