Beatriz Ivano dos Santos, 10, faz aula de inglês, natação, japonês e sempre estudou em escolas particulares. A mãe, Elisa Ivano, 33, faz questão de proporcionar à filha as oportunidades que acredita serem úteis para garantir um futuro melhor à menina. Ela acha que só consegue oferecer esses benefícios porque é mãe apenas de Beatriz. Convicta de que não terá mais filhos, ela admite, porém, que deposita na garota todas as expectativas de que ela corresponda ao investimento feito.
''A cobrança em cima da filha única é maior'', diz, acrescentando que se preocupa com a sobrecarga de atividades. ''Tenho medo que ela se desinteresse e não queira fazer mais nada quando ficar adolescente.'' Elisa acredita que a rigidez na educação evitou que ela ficasse mimada e individualista, contrariando o estereótipo dos filhos únicos.
Por ser ainda jovem, Elisa já está habituada a ouvir conselhos para ter mais filhos. ''Nem penso nisso. É uma coisa que nunca quis.'' Beatriz, acostumada a se divertir sozinha, garante que também não quer irmãos. ''As crianças pequenas brigam e choram'', minimiza. Por outro lado, conta que não ter companhia para brincar às vezes ''é chato''. Na escola, a falta de convivência com irmãos dificulta um pouco a realização de trabalhos em equipe. ''Quando não entendo, não gosto de ficar perguntando para os outros. Prefiro resolver sozinha'', diz a menina.
Um pouco tímida, a garota afirma sentir medo quando pensa em ficar longe da mãe, mas já faz planos de morar fora do País para estudar, o que deixa Elisa angustiada e apreensiva. ''Tenho medo, mas também muita vontade de conhecer coisas novas'', antecipa a filha.(C.A.)

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