São Paulo, 26 (AE) - Após a polêmica instalação de catracas eletrônicas em parte da frota de ônibus da cidade, pelo menos oito paralisações da categoria motivadas pela inovação tecnológica e projetos de recolocação, os cobradores terão de voltar ao lugar que ocupavam antes para evitar que passageiros pulem as catracas e não paguem a passagem, como vem ocorrendo. Por temer que as empresas de ônibus percam receita, em razão disso, a São Paulo Transporte (SPTrans) voltou atrás. "Não podíamos imaginar que a população fosse tão mal-educada", disse o diretor de Gestão Financeira da SPTrans, Antonio Emiliano Leal da Cunha. Segundo ele, não se previu a possibilidade de a ausência do cobrador facilitar o não-pagamento das passagens.
Na avaliação de Cunha, era necessário dar um voto de confiança à população, mas os resultados não foram bons. "É lamentável." Ele acredita, porém, que os passageiros poderão vir a aprender a se "comportar". "No futuro, poderemos voltar a pensar em retirar os cobradores."
Não há dados que mostrem quais foram as perdas provocadas pela parcela da população que pula as catracas. Sabe-se, apenas, que o total da perda de receita - provocada, também, por cobradores que recebem a passagem e pedem para o passageiro descer pela frente ou por passageiros que entram pela parte de trás - está em torno de R$ 19,5 milhões, o equivalente a 15% dos R$ 130 milhões arrecadados mensalmente pelo sistema. No segundo semestre do ano passado, o prejuízo ficava em torno de 8%.
As catracas eletrônicas começaram a causar polêmica em abril do ano passado, quando foi feito o anúncio de sua instalação. O custo de todos os equipamentos - para os 10,8 mil ônibus da cidade - foi avaliado em R$ 60 mil. Até agora, porém, apenas cerca de 10% dos carros rodam com as catracas, que vêm sendo instaladas desde novembro, principalmente nas linhas da zona sul da cidade.
Recolocação - Com a nova tecnologia, muitos cobradores ficaram sem ter o que fazer. As empresas passaram, então, a oferecer planos de demissão voluntária - sem muitos benefícios, além dos direitos legais - e planos de recolocação profissional, com o objetivo de remanejá-los ou ensinar-lhes outra profissão. Um decreto municipal, recentemente revogado, proibia a demissão de cobradores motivada pela instalação de catracas.
Motoristas e cobradores fizeram, do ano passado para cá, pelo menos oito paralisações. Além de reivindicar reajustes salariais e benefícios, a categoria, nessas manifestações, também exigia garantia de emprego para os profissionais que estavam perdendo suas funções.
De acordo com o sindicato da categoria, não foram demitidos muitos cobradores, mas a notícia da volta deles para os ônibus foi bem recebida. "É uma medida tardia", avaliou o presidente da entidade, Gregório Poço. "Não deveriam ter deixado o sistema chegar nesse ponto."

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