Sid Sauer
A Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), de Campo Mourão, deve começar a produzir já no mês que vem gordura vegetal de soja. A indústria está em fase de montagem e faz parte da primeira etapa visando a instalação de uma fábrica de margarina. Serão produzidos inicialmente 100 toneladas diárias de gordura hidrogenada de soja. Desse total, 40 toneladas serão vendidas para terceiros e o restante será absorvido pela indústria de margarina.
‘‘Além da margarina, a gordura vegetal é utilizada pelas indústrias de chocolate, de sorvete e de biscoitos’’, explica o superintendente industrial da Coamo, Germano José Frentzel Ottmann. Já a fábrica de margarina da Coamo deve começar a produzir em fevereiro do ano que vem. Ela começará produzindo 60 toneladas diárias, mas terá capacidade para chegar às 300 toneladas por dia. As obras da nova indústria começam ainda este mês.
A produção de margarina da Coamo será equivalente a 120 mil potes de 500 gramas por dia. Uma das novidades da nova indústria - a sétima da cooperativa - será que a própria Coamo vai produzir, na mesma fábrica, as embalagens do produto. ‘‘Será a primeira indústria de margarina do País com essa tecnologia’’, ressalta o superintendente. Isso significa que embalagem e margarina serão produzidas num único processo.
O presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, diz que a indústria da cooperativa terá tudo o que existe de mais moderno no País. ‘‘Com isso, espera-se que tenhamos também a melhor margarina do mercado’’, ressalta. Segundo ele, ao investir na industrialização, a Coamo segue com a filosofia des sua fundação, que é a eliminação da intermediação. ‘‘Além de empregos e impostos, a industrialização agrega valores maiores aos produtos entregues pelos cooperados’’.
A indústria de margarina, por exemplo, está orçada em R$ 6 milhões, mas, em compensação, deverá aumentar o faturamento anual da cooperativa em cerca de R$ 100 milhões. Isso representa 10% dos cerca de R$ 1 bilhão que a Coamo vem faturando anualmente. Além disso, a fábrica vai gerar 40 empregos diretos. Hoje, a cooperativa Coamo conta com seis indústrias em funcionamento e seus produtos chegam a 11 estados.
São duas indústrias de óleo de soja - uma delas fica no terminal portuário de Paranaguá -, uma refinaria de óleo de soja, uma destilaria de álcool, uma fiação de algodão e um moinho de trigo. A cooperativa também já desenvolveu projetos para um novo moinho de trigo e para indústrias de açúcar e de amido de milho, mas não há previsão de instalação. ‘‘Estamos esperando o momento certo’’, diz Gallassini.
Além de suas indústrias, a Coamo também industrializa parte da produção que recebe em fábricas de terceiros. Dos 1,2 milhão de toneladas de soja esmagadas no ano passado, por exemplo, 390 mil toneladas foram industrilizadas em indústrias da Cocamar, em Maringá, e da Coopersul, em Guarapuava. Com isso, a industrialização da soja chega a 65% dos 1,8 milhão de toneladas entregues pelos cooperados.
Entre fábricas próprias e arrendadas, a cooperativa produziu no ano passado 541.48 toneladas de farelo de soja; 132,42 mil toneladas de óleo bruto; 4,66 milhões de caixas de óleo refinado; 7,05 mil toneladas de fios cardados; 16,02 mil toneladas de farinha de trigo e 18,75 milhões de litros de álcool. Tudo isso é possível porque, sozinha, a Coamo recebe o equivalente a 16% de toda a safra paranaense (3,6% da safra nacional).

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