Coalizão opositora deve obter maioria precária de 50%
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sexta-feira, 04 de junho de 1999
Por Pepe Escobar 
Jacarta, 05 (AE) - A última pesquisa de intenção de voto, publicada sexta-feira (04) pela imprensa indonésia, dá 20% dos votos para Megawati Sukarnoputri, cerca de 17% para Amien Rais, do PAN, e 13% para o PKB do tradicionalista Gus Dur.
Se esses números se confirmarem, a coalizão teria cerca de 50% dos votos - algo significativo, mas muito longe do suficiente para derrotar os biônicos já instalados pelo sistema e a chuva de dinheiro do governista Golkar, capaz de comprar votos dos pequenos partidos.
Mas, se o Golkar e seu candidato, o presidente B. J. Habibie (no poder há um ano), não chegarem a alcançar pouco mais de 10% do total de cadeiras do Parlamento - como insistem várias pesquisas de intenção de voto -, o repúdio generalizado da população terá decretado o fim da Nova Ordem de Suharto.
O problema principal das eleições indonésias é que suas regras foram estabelecidas pelo atual Legislativo, a DPR - dominada pelo Golkar -, no fim do ano passado.
Na época, a oposição estava dormindo. Após as eleições, haverá um perigoso hiato de quase cinco meses até o colégio eleitoral, a Assembléia Consultiva do Povo (MPR), escolher o novo presidente do país: tempo de sobra para o Golkar e Habibie distribuírem seus US$ 40 milhões - o total da "caixinha de votos", segundo insistentes boatos em Jacarta.
Ao contrário das previsões apocalípticas da mídia global, a campanha eleitoral, iniciada oficialmente em 19 de maio, praticamente não registrou incidentes violentos.
Depois das eleições, é outra história. Toda mudança de regime na Indonésia é vulcânica. Mais de 500 mil supostos comunistas morreram depois que Suharto ejetou Sukarno do poder em 1966. Suharto só entregou sua cadeira no palácio presidencial quando os protestos estudantis e a subsequente anarquia ameaçavam precipitar o país em uma guerra civil.
Há incêndios adicionais no caminho até o próximo presidente. Habibie ofereceu independência à ex-colônia portuguesa de Timor Leste - sua maneira intempestiva de livrar-se de um abacaxi. O território foi invadido pela Indonésia em 1975 e anexado no ano seguinte. Se Timor Leste rejeitar a autonomia no referendo de 8 de agosto e escolher a independência, está aberto o caminho para a secessão em Aceh e Irian Jaya.
Os indonésios da classe média urbana e da oposição estão certos de que 50% dos votos, segunda-feira, não bastam. O ideal seria obter cerca de 75% dos votos para que a oposição, possivelmente com uma Megawati presidente, tenha autoridade inquestionável para reconstruir o país.
Será uma tarefa para vários Sísifos. Apenas um líder com ampla legitimidade popular será capaz de não dourar a pílula, pedir sacrifícios e levar adiante todas as reformas imprescindíveis para a Indonésia.
Como frisa o sempre equânime Jusuf Wanandi, presidente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, um dos maiores perigos neste momento é a enorme expectativa popular: "As pessoas têm de perceber como a situação do país será difícil nos próximos cinco a dez anos."


