Caracas, 26 (AE-AP) - Políticos da oposição prometeram hoje (26) resistir a tentativas de abolir instituições democráticas da Venezuela depois que a coalizão do presidente Hugo Chávez conquistou amplo controle da assembléia que irá rescrever a constituição do país.
A presidente da Suprema Corte, Cecilia Sosa, afirmou que os integrantes da assembléia constituinte não podem "fazer o que querem" apesar da insistência de Chávez de que o órgão tem o direito de dissolver tanto o Congresso quanto os tribunais.
O palco está montado para uma batalha constitucional, confrontando-se a visão revolucionária do carismático presidente esquerdista com a promessa da oposição de preservar a democracia.
Mas com a coalizão Pólo Patriótico, de Chávez, conquistando 119 das 128 cadeiras na eleição de domingo para a assembléia, a grande questão é se a oposição tem qualquer relevância.
"Faremos com que nossa voz seja ouvida", insistiu Jorge Olavarria, um dos nove candidatos de oposição "Vou protestar. Vou resistir".
Pedro Ortega, o líder pró-Chávez do Partido Comunista que foi eleito para a assembléia, disse que irá pressionar pela imediata suspensão das atividades tanto do Congresso quanto da Suprema Corte, com comissões apontadas pela assembléia assumindo suas obrigações.
Mais tarde, afirmou ele, seriam estabelecidas instituições mais democráticas.
"O sistema judiciário que temos hoje é tão corrupto que é melhor não ter nenhum", disse ele.
Chávez, que liderou um fracassado golpe de Estado em 1992 em nome dos pobres, afirmou que seu objetivo é eliminar décadas de corrupta liderança que levaram a Venezuela, rica em petróleo, à pobreza. Ele declarou depois da votação de domingo: "A Venezuela está livre novamente".
Mas com Chávez assegurando quase o controle total tanto das Forças Armadas quanto da assembléia constituinte com poderes aparentemente ilimitados, muitos temem que seu governo está assumindo um tom cada vez mais autoritário.
Dezenas de milhares de soldados do exército foram espalhados pela Venezuela para ajudar na construção de estradas e cultivar fazendas, e Chávez apontou oficiais leais para postos-chaves no setor público.
Muitos delegados da assembléia também propõem a substituição dos legislativos estaduais por "assembléias populares" locais e a reversão da atual proibição contra a reeleição consecutiva do presidente, apontando para a possibilidade da expansão do mandato de Chávez.
A Suprema Corte decidiu em abril que a constituinte não poderia dissolver qualquer órgão do governo até depois que ela completasse seis meses de deliberações e uma nova constituição seja ratificada por um referendo nacional no começo do ano que vem.
Depois da votação de domingo, Sosa, a presidente da Corte, disse que a decisão ainda impera.
Mas Chávez, falando para milhares de entusiasmados partidários na frente do palácio presidencial na noite de domingo, afirmou: "Se a assembléia decidir que o Congresso deve parar de funcionar, então o Congresso tem de para de funcionar".
Um delegado de oposição da assembléia, Alberto Franceschi, disse à ASSOCIATED PRESS que irá trabalhar para estabelecer alianças com setores da coalizão de Chávez para impedir a dissolução de instituições democráticas.
"Como uma voz da oposição, tenho de buscar alianças e trabalhar para separar o que pode ser um segmento democrático dentro do Pólo Patriótico de propostas que são fascistas", afirmou ele.
Muitos economistas temem que a instabilidade inerente na prescrição de Chávez de uma "revolução social" irá afugentar investidores durante uma das piores recessões que a Venezuela vive em décadas.
O presidente tem repetidamente dito que a nova constituição deve incluir fortes garantias para investidores, mas um clima de incerteza já foi criado pelo o que críticos dizem ser ataques de Chávez contra a separação dos poderes e o império da lei.

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