Curitiba- O Tribunal de Contas da União (TCU) constatou irregularidades no uso de verbas repassadas à Cooperativa dos Trabalhadores Rurais e Reforma Agrária do Centro-Oeste do Paraná (Coagri). Entre as denúncias do TCU estão desvio do dinheiro dos cooperados, que deveria ser usado para pagar parcelas dos financiamentos ao Banco do Brasil e o descumprimento do cronograma de liberação anual de recursos para o custeio da safra. Também foi apontada falha dos órgãos que deveriam dar assistência técnica aos agricultores e também fiscalizar se o dinheiro era usado corretamente. Os órgãos são Emater e Cooperativa Central da Reforma Agrária -CCA.
Segundo o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Banco do Brasil, as irregularidades se referem aos financiamentos por meio do extinto Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera) entre os anos de 1996 e 1999.
O Banco do Brasil informou que já deu explicações sobre as operações e que, apesar de ter liberado o dinheiro do Procera, a obrigação de fiscalização da correta aplicação era do Incra. Já o Incra defende que a fiscalização do dinheiro é do agente financeiro.
De acordo com o relatório do TCU, a Coagri não repassou a quitação dos débitos dos cooperados e está inadimplente com o Banco do Brasil. O relatório diz ainda que a Emater e CCA foram parciais e deficientes, ''sem a preocupação de verificar se as aquisições eram ou não precedidas de pesquisas de mercado, se os preços eram compatíveis e se os recursos estavam sendo ou não bem aplicados.''
O TCU determinou que o Incra, no prazo de 60 dias, encaminhe a situação atual das operações de crédito firmadas entre o Banco do Brasil e a Coagri, elabore e remeta parecer conclusivo sobre as operações com as finalidades previstas e o destino dado aos recursos. Também ordenou o envio ao tribunal do resultado dos trabalhos da comissão de tomada de contas especial, com informações das providências adotadas.
O Tribunal determinou também que o Incra desenvolva mecanismos que visem ''coibir a cobrança, pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), de comissões conhecidas como 'pedágio financeiro' dos agricultores favorecidos por créditos destinados à reforma agrária, bem como a retenção, pelas cooperativas ligadas ao MST, de parte dos recursos repassados aos agricultores.''
A Coagri já foi alvo de denúncias semelhantes em agosto de 2000. Na época, o Incra e a Secretaria Federal de Controle Interno do Ministério da Fazenda denunciaram à Procuradoria Geral da República que 10% dos R$ 15,8 milhões que a Cooperativa recebeu foram desviados por meio de cobrança de comissão dos associados.
A cooperativa foi acusada também de cobrar 3% para liberar recursos e percentuais sobre compras em lojas de insumos e supermercados. A reportagem da Folha procurou a coordenação do MST, mas não houve retorno às ligações.

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