Curitiba - Integrantes da Comissão Nacional de Tecnologia de Biossegurança (CNTBio), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, fizeram uma vistoria ontem na fazenda da empresa Monsanto, em Ponta Grossa. A fazenda foi ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no dia 16 de maio, sob a alegação de que a empresa estaria conduzindo experimentos com soja transgênica sem a devida autorização do governo federal. Segundo o MST, a Monsanto teria no estoque 27 sacas de soja modificada geneticamente identificadas para multiplicação, o que seria proibido.
A Monsanto obteve junto ao governo federal uma autorização para conduzir experimentos com transgênicos em quatro hectares da fazenda de Ponta Grossa. A vistoria dos técnicos da CNTBio foi realizada para verificar se a Monsanto estaria plantando produtos transgênicos em outras partes do terreno, como alega o MST. A assessoria da CNTBio afirmou que nos próximos dias devem ser divulgadas as conclusões dos técnicos do órgão.
Segundo o representante do MST em Ponta Grossa, Célio Rodrigues, o resultado da vistoria não influirá na decisão do movimento em manter a ocupação. ''Nossa luta é contra os produtos transgênicos, que vão acabar com a agricultura familiar. A ocupação serve para que a sociedade discuta esse problema'', destacou Rodrigues.
Além dos representantes da CNTBio, técnicos da Secretaria Estadual de Agricultura também acompanharam a vistoria, que foi prejudicada pelas chuvas que caíram na região. ''Durante a checagem da parte coberta, não encontramos indícios de nenhuma atividade não-autorizada pelo Ministério da Agricultura. Alguns dos materiais não se encontram nos mesmos locais deixados pelos funcionários da Monsanto antes da invasão'', comentou o técnico da secretaria, Alvir Jacob.
O coordenador da Secretaria de Agricultura em Ponta Grossa, Oscar Weller, ressaltou que a função dos técnicos era apenas verificar a situação da Monsanto. ''O resultado da vistoria é de responsabilidade da CNTBio. Apenas acompanhamos o processo a pedido do governador, que tem interesse em saber da situação da Monsanto'', afirmou Weller.
No dia 19 de maio, o Tribunal de Justiça expediu a ordem de reintegração de posse, ainda não cumprida.

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