São Paulo, 11 (AE) - A Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA) e os sindicatos que reúnem os funcionários do setor de bebidas, encaminham amanhã à Procuradoria-Geral do Trabalho, em Brasília, denúncia de que a Companhia de Bebidas das Américas (AmBev), resultado da fusão entre as cervejarias Brahma e Antarctica demitiu, de julho de 99 até março deste ano, cerca de 600 funcionários em todo o País.
A AmBev rebate as acusações com o argumento de que, nesse período, todas as demissões foram comunicadas ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao Ministério do Trabalho e estiveram dentro do programa de reestruturação das empresas. A Assessoria de Comunicação da empresa afirma que as demissões não estão relacionadas ao processo de fusão e que os sindicatos não levaram em conta a reposição de funcionários. Segundo a empresa, de julho do ano passado a fevereiro deste ano
de um total de 17 mil funcionários em todo o País, houve uma redução de apenas 0,7% nos quadros.
De acordo com determinação do Cade, desde julho do ano passado, quando a fusão das empresas foi anunciada, as companhias Brahma e Antarctica estão proibidas de demitir funcionários por conta do processo de fusão. O presidente do Cade, Gesner de Oliveira, já afirmou que a preocupação do conselho não é apenas com a manutenção da concorrência de mercado, mas também com o nível de empregos. Por esse motivo, ele garantiu que vai investigar, com a ajuda técnica do Ministério do Trabalho, todas as denúncias que surgirem a esse respeito. As empresas que não cumprem as determinações do conselho podem ser multadas em até 100 mil UFIRs ao dia.
Números - Segundo documento que será encaminhado amanhã ao procurador-geral do Trabalho, Guilherme Mastrichi Passo, a AmBev demitiu 15 funcionários em Santa Catarina, 89 nas unidades do Rio Grande do Sul, 36 em Belém, 73 em Guarulhos, 91 em Jaguariúna, 37 no Rio Grande do Norte, 77 nas unidades do Paraná
55 em Ribeirão Preto e 115 nas unidades de Manaus. O documento não leva em conta o balanço de outras localidades, como por exemplo Cuiabá, e Bahia. Os sindicatos dessas regiões ainda não concluíram este balanço.
O presidente da CNTA, Arthur Bueno de Camargo, sustenta que a AmBev está contrariando determinação do Cade, ao realizar essas demissões. "E o número que temos, ainda é parcial, pois não inclui todas as unidades da Brahma e da Antarctica", informa. Camargo explica, ainda, que também não foram computadas as demissões de funcionários com menos de um ano de empresa, cujas rescisões não são feitas nos sindicatos. "Com certeza podemos acrescentar ao total que apuramos, pelo menos mais 10% de funcionários com menos de um ano de trabalho", reitera.
Na audiência com o procurador-geral, Arthur Camargo e os presidentes dos sindicatos que representam os trabalhadores das indústrias de bebidas de todo o País irão solicitar, prioritariamente, a manutenção dos níveis de emprego. Para Camargo, as duas companhias já fizeram suas reestruturações antes do anúncio formal da fusão, em julho do ano passado. Por essa razão, ele acredita que é necessário uma garantia para que os trabalhadores da AmBev tenham tranquilidade e que as demissões não continuem ocorrendo.

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