CNPq cria programa para reduzir tempo do mestrado
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terça-feira, 02 de outubro de 2001
Lucia Martins<bR> Agência Estado<br> Do Rio de Janeiro 
Dez programas de pós-graduação no Brasil estão iniciando um projeto-piloto para tentar diminuir o tempo de duração do mestrado, passando de dois anos para apenas um. A redução faz parte da ''Pós-Graduação Integrada'', uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para apressar a chegada do aluno ao doutorado.
Para começar, a agência de incentivo à pesquisa limitou em 30% o limite de alunos de cada curso com permissão para fazer o ''mestrado rápido''. Os escolhidos serão estudantes com bom desempenho e que têm intenção de ingressar no doutorado. O CNPq também só oferece a opção para os programas de pós-graduação que têm, no mínimo, nota 6 da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o órgão responsável pelas avaliações dos cursos de mestrado e doutorado e que também oferece bolsas.
A decisão final de acelerar ou não os cursos é das universidades, mas as agências financiadoras têm grande influência porque a grande maioria dos alunos recebe bolsas com prazos definidos (máximo de 24 meses para o mestrado e 48 meses para o doutorado).
Com base nessa influência que, no ano passado, o CNPq começou a estudar formas de incentivar às universidades a reduzir o tempo do mestrado. Para isso, ele promete oferecer um número extra de bolsas de iniciação científica para os programas de pós-graduação que tiverem interesse em aderir ao projeto-piloto. O aluno também recebe estímulo a fazer parte dos 30%. Além de acelerar o curso, ele terá direito a um fundo de reserva de 15% do valor de sua bolsa para ser sacado como auxílio à pesquisa que realizar no doutorado.
''A princípio, nosso projeto será direcionado para os cursos que o mestrado não faz mais sentido sem o doutorado, como a área de física, por exemplo'', explica Celso Melo, diretor do CNPq e um dos autores do projeto. E acrescenta: ''Mas, com o tempo e se a experiência der certo, queremos reduzir as restrições e ampliar o plano para os cursos e alunos com notas menores''.
Glaci Zancan, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professora de bioquímica da Universidade Federal do Paraná, diz que a UFPR já promove aceleração dos cursos há alguns anos. Segundo ela, em alguns casos, o aluno chega a ''pular'' o mestrado e vai direto para o doutorado.


